Por onde andará Demeter?






Demeter, deusa da Grécia antiga, protetora das terras cultivadas e das colheitas.
Por onde andarás nossa deusa-mãe, que germina sementes, nos alimenta, nos dando o precioso pão de cada dia?
Ciclones, maremotos, tufões, tsunamis, chuvas torrenciais, ursos polares e icebergs flutuando sem direção, epidemias, abelhas desaparecidas, terras secas e sulcadas pelo sol.
Dizemos: a natureza enlouqueceu! o tempo está maluco! Pobre tempo, pobre clima, que é só uma seqüela da ação inconseqüente dos homens que há muito estão cegos para sua própria LOUCURA.
Ah, os bancos... estes sempre vão muito bem, obrigado. Os “grandes investidores”, o dinheiro virtual, os mercados, as bolsas de valores , os juros. Silêncio nos ganhos e choradeira nas perdas.
Correm velozes para ajudar a si mesmos quando a recessão bate à porta e dão as costas para tudo o que não seja lucro, dividendos, especulação.

E agora.... a fome, a falta dos alimentos, do trigo, dos grãos, escassez de planejamento, excesso de ganância. Quem de nós já ficou dois dias sem comer, e sem saber quando será a próxima refeição?
O que mais podemos esperar desta ambição inescrupulosa, de governos unilaterais, políticos roliços e alienados, em seus belos jantares e intermináveis reuniões de cúpulas das quais nenhum resultado se percebe?

Bilhões de dólares despejados na industria bélica mundial, dinheiro que resulta em morte e degradação, ou seja, tudo feito em nome da defesa e da segurança. Quanto mais as desejamos, menos as encontramos, é um paradoxo ou uma piada?

Onde andará Demeter, a força sábia da natureza que nos dá os grãos, os campos floridos, as chuvas fertilizantes, a semeadura com colheitas fartas, e as quatro belas estações do ano?
Imagino-a cansada e abatida, meio descabelada, tentando em vão ensinar os homens a cuidarem melhor dela, respeitando seus limites.

O que estamos semeando para nossos filhos e netos? A colheita da visão curta, da miopia do imediatismo dos lucros, de um amanhã sombrio.
E se pudessemos deixar para eles o cuidado, o amor e o respeito por tudo aquilo que chamamos de vida e natureza?
Ambientalistas do planeta Terra, uni-vos!
Mãe Terra, perdoe-nos!

Tereza Kawall

Tibet: a tocha sem brilho



NOVA DÉLHI - Cerca de cinco mil tibetanos iniciaram nesta quinta-feira, 17, um percurso paralelo ao da tocha olímpica por Nova Délhi, onde foram desdobrados mais de 15 mil policiais para o revezamento oficial, informou a agência indiana Ians.

Antes da cerimônia oficial, os ativistas usando camisetas com mensagens em defesa da liberdade no Tibete, organizaram um percurso alternativo com uma tocha "própria", que levaram do memorial de Rajghat, onde foi cremado o pai da nação indiana, Mohandas Gandhi, até o complexo de Jantar Mantar, epicentro dos protestos nos últimos dias."

O revezamento oficial tem pouco espírito olímpico porque está sendo organizado sob extremas medidas de segurança. Portanto decidimos reviver o espírito olímpico com um percurso paralelo", disse o porta-voz do Comitê de Solidariedade Tibetano (TSC, em inglês), Tseten Norbu.
A segurança os impediu de acender sua tocha de protesto no interior do parque, onde repousam os restos de "Mahatma" Gandhi, mas os manifestantes conseguiram acendê-la do lado de fora.

Está previsto que o protesto termine pouco antes de a tocha olímpica percorrer oficialmente Nova Délhi, aonde chegou à 1h10 (16h40 de quarta-feira de Brasília), a bordo de um avião especial procedente do Paquistão.

Desde o primeiro momento foram registrados protestos de tibetanos contra a atuação da China no Tibete.

As autoridades indianas asseguraram que a tocha será mantida em um local seguro e "não revelado" até o começo do revezamento, com vistas a prevenir incidentes como os que ocorreram em Paris, Londres e San Francisco.

Vivem na Índia cerca de 130 mil refugiados tibetanos e seu líder espiritual, o dalai lama.

Na madrugada de desta quinta-feira, aproximadamente 40 tibetanos foram detidos em Nova Délhi após um protesto contra a China na chegada da tocha.

Festa no outro apartamento


Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde, coisíssima nenhuma.
Estamos todos no mesmo barco.
Há no ar, um certo queixume, sem razões muito claras.
As pessoas, de uma maneira geral, têm dentro delas um não-sei-o-que perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem.
De onde vem isso?
Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: Eu espero acontecimentos... só que quando anoitece, é festa no outro apartamento.
Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar, para o qual eu não tinha convite.
É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser.
Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligado na grama do vizinho.
As festas em outros apartamentos são fruto de nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias.
Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias. Revelam pouco suas aflições e não dão bandeira das suas fraquezas.
Assim, fica sempre parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando, na verdade, a festa lá fora não está tão animada assim.
Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde, coisíssima nenhuma.
Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e outros bons motivos para se refugiar no escuro, alternadamente.
Só que, os motivos pra se refugiar no escuro, raramente são divulgados.
Para consumo externo, todos são belos, sensuais, magros, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores e equilibrados.
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de mídia que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta.
Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça.
Mas tem.
Paz interior, família, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços... tudo isso vale ser incluído na nossa biografia.
Será mesmo tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras, fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores?
Compensa passar a vida comendo alface, para ter o corpo que a profissão de modelo exige?
Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas dos pés?
Talvez precisemos discernir entre uma vida sensacional e uma vida sensacionalista.
Porque as melhores festas acontecem mesmo, é dentro do nosso próprio apartamento.

[Desconheço a autoria]








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No dia 24 de agosto de 2006 a comunidade dos astrólogos foi surpreendida com a notícia de que a XXVI Assembléia Geral de IAU, International Astronomical Union em seu congresso anual em Praga havia promovido o” rebaixamento” astronômico do planeta Plutão, que a partir daí seria considerado um planeta- anão.Essa desclassificação foi tomada em função de uma série de novos critérios científicos relativos ao peso, medida e órbita dos demais planetas. Questionamentos, dúvidas, ceticismo e até revolta foram as reações mais evidentes; outros deram de ombros, mas não tão indiferentes assim.

O rebaixamento astronômico foi polêmico até entre os próprios cientistas astrônomos. Em março deste ano, 2007, houve um novo consenso estabelecido por uma lei do Estado norte-americano do Novo México que se rebelou contra a determinação da IAU. Não satisfeitos, os astrônomos instituíram o dia 13 de março como sendo o Dia de Plutão em sua legislatura.

Um foco de luz e curiosidade se abriu sobre a validade dos postulados astrológicos , tanto por parte da grande mídia, quanto daqueles que algum uso fazem deles, seja em consultas periódicas, livros, ou auto conhecimento. Enfim, o quê mudou para o astrólogo e para o seu ofício? Nada. Em termos astrológicos a questão é irrelevante, pois o planeta “ desclassificado”, por assim dizer, não o faz ou fez perder nenhuma característica simbólica à ele atribuído. A Astrologia não trabalha com relações de causa e efeito, um critério científico e racionalista, e não considera o tamanho do corpo celeste relevante em sua eficácia simbólica.

A Astrologia em sua essência é uma linguagem simbólica, e como tal diz respeito ao que chamamos de arquétipos, princípios ou idéias estruturantes, inatas ou herdadas na psique humana coletiva. Os símbolos planetários representam diferentes motivações, necessidades e impulsos da natureza humana.

Plutão é o planeta sempre associado aos processos de desconstrução, regeneração, e transformação da vida , para que haja uma nova consciência. Morte e vida lhe dizem respeito assim como o potencial criador e curativo do inconsciente.
Plutão ou Hades na mitologia greco romana era o senhor absoluto dos mundos subterrâneos e inivsíveis. Hades não tinha altares para ser cultuado, e também não poderia ser visto pelos mortais, pois usava um elmo que o tornava invisível. Seu nome quer dizer “ riqueza”, pois ele tem o poder revelar tesouros e talentos ocultos que ficam disponíveis em momentos de dor e devastação da alma humana.

Como dizia Nietzsche: “ Aquilo que não me destrói me fortalece”.

Este livro contém informações preciosas sobre a natureza transpessoal dos planetas que estão além das órbitas de Saturno, que como bem define Dane Rudhyar são os “embaixadores da galáxia”, pois de um lado nos colocam em contato com dimensões mais vastas e profundas da psique, e por outro promovem um nível mais alto de consciência. Urano, Netuno e Plutão são catalisadores de mudanças, que dissolvem padrões mentais e emocionais arraigados que bloqueiam a visão e o desenvolvimento de um individuo.
É necessário dizer também que por outro lado, Plutão e destino andam de mãos dadas e muitas vezes atadas. No plano psicológico, não é raro observarmos como seus trânsitos ou progressões podem desencadear a erupção de complexos ou síndromes plutonianas em que a vontade individual, a escolha e o por fim o arbítrio não tem nenhuma eficácia; há um verdadeira humilhação ou rendição do ego, que leva ou não a uma mudança.James Hillman, analista junguiano escreve a respeito do caráter e destino:

“ Parte daquilo que quero dizer com “ força do caráter” é a persistência das anomalias incorrigíveis, esses traços que não conseguimos consertar, não conseguimos esconder e não conseguimos aceitar. Resoluções, terapia, conversão, o arrependimento do coração na velhice – nada prevalece contra eles, nem mesmo a oração. Resta-nos entender que o caráter é realmente uma força que não pode sucumbir à força de vontade nem pode ser alcançada pela graça. A força de sua s fraquezas zomba de todos os livros de virtudes, cujos esforços para esclarecer são velas acesas ao vento”.

Gosto muito de admirar árvores, em especial as de grande porte. Vejo-as como um símbolo perfeito de força plutônica, unindo céu e a terra, o alto e o baixo, a luz e a escuridão ctônica. Se nos sentássemos embaixo de uma dessas árvores-mães, e pegássemos uma única semente por ela jogada ao chão, poderíamos nos indagar, numa breve reflexão:

De onde vem a seiva que faz brotar e crescer esta bela árvore, cuja generosidade nos dá proteção, sombra, memórias, moradia para inúmeros seres da natureza, além dos frutos e das flores que colorem a paisagem?

De onde vem a água das nascentes que jorram delicadamente para perpetuar a vida?

De onde vem a lava dos furiosos vulcões vomitando e jorrando labaredas de fogo?

De onde vem o petróleo, e outros incontáveis recursos energéticos igualmente invisíveis porque subterrâneos?

Como vamos nos reconciliar com a abundância de Gaia, cuja infinita paciência parece ter se esgotado, porque estamos destruindo-a diária e impunemente? Continuaremos vivos?

Com a palavra, vossa excelência, Plutão.


Tereza Kawall, prefácio do livro Síndromes de Plutão, de Ciça Bueno e Márcia Mattos, ed. Ágora.





Tocha Olímpica em Buenos Aires

Manifestantes em Buenos Aires













Richard Gere em São Francisco,CA

Buenos Aires reforça segurança para passagem da tocha Olímpica
Chama olímpica passará nesta sexta-feira (11) pela capital da Argentina.Autoridades se preparam para possibilidade de protestos pró-Tibete.

Por enquanto, as atenções se voltam para a possibilidade de Diego Maradona carregar a chama.

As forças de segurança argentinas, que lidam quase diariamente com protestos de rua e com a violência dos torcedores de futebol, estão preparando um forte esquema para os 14 km de percurso da tocha, diante da suspeita de manifestações-surpresa contra a recente repressão da China na região do Tibete.

A chama olímpica partirá da região de Puerto Madero, protegida por 1,5 mil efetivos da Prefeitura Naval, 1,2 mil policiais federais e 3 mil colaboradores.

Buenos Aires é a única cidade latino-americana que participará do revezamento da tocha, que termina em agosto, em Pequim.

É de Puerto Madero que pode partir Maradona, que nunca conseguiu realizar o sonho de participar das Olimpíadas. "Essa é a dívida pendente que tenho, e transportar a tocha Olímpica seria um sonho realizado", disse recentemente o ex-astro do futebol.

Protestos na California

Em San Francisco, na Califórnia, por onde a tocha passou na quarta (8), a cerimônia começou com atraso. A tocha foi acesa e em seguida carregada pela primeira atleta. Nas ruas de San Francisco, milhares de pessoas esperavam a passagem da chama, mas surpreendemente, a atleta entrou num depósito e desapareceu. Havia a especulação de que a tocha sairia de barco pela Bahia de San Francisco, mas meia hora depois começou o revezamento pelas ruas da cidade sob forte esquema de segurança. A polícia formou uma barreira para evitar que a tocha sofresse ataques e apagasse, como aconteceu em Londres e Paris.

Protestos Pró Tibet






TIBET

Protestos marcam a passagem da tocha olímpica por Londres e Paris
Os acontecimentos em Londres são um bom indicador de que a campanha da China por apresentar-se como um país aberto e respeitoso dos direitos humanos dos tibetanos não conseguiu seu objetivo, e mostra que a questão do Tibete vai ofuscar os Jogos, segundo os manifestantes.
Da mesma forma falou o líder espiritual Dalai Lama, que, neste domingo, disse que as manifestações no Tibete "jogaram por terra a propaganda chinesa sobre os distúrbios na região".
"Os recentes protestos em todo o Tibete não só contradisseram como também jogaram por terra a propaganda da República Popular da China, segundo a qual a maioria dos tibetanos, com exceção de alguns poucos reacionários, desfrutam de uma vida próspera e satisfatória", declarou o líder espiritual do budismo tibetano.

"Esses protestos também disseram ao mundo que a questão do Tibete já não pode ser relegada ao segundo plano", acrescentou o Prêmio Nobel da Paz.

http://www.dalailama.org.br/


Veja também fotos:



"Não inventei nada"

O neuropsiquiatra David Servan-Schreiber recebeu a Folha de S.Paulo em seu apartamento em Paris, onde falou sobre as idéias expostas no seu livro "Guérir". ( CURAR) Confira, abaixo, trechos da entrevista.

Folha - Segundo o sr., vivemos sob a tirania dos medicamentos psicotrópicos, receitados de forma abusiva para combater o estresse, a ansiedade e a depressão.
David Servan-Schreiber - Muitas pessoas tiveram a vida salva pelos antidepressivos. Hoje, eles provocam muito menos efeitos secundários que no passado. O que não é normal é o desequilíbrio com que são utilizados. Um francês em cada sete toma antidepressivo ou ansiolítico. Nos EUA, cerca de 10 milhões de americanos tomam antidepressivos. Isso é anormal. O lítio e outros medicamentos são muito eficazes. O importante é utilizá-los em casos legítimos e justificados. Essa medicina não reconhece que o corpo e o cérebro emocional têm sua própria capacidade de adaptação e reequilíbrio.

Folha - Em relação à psicanálise, o senhor chegou a dizer que, praticada seguidamente, é uma perda de tempo.
Servan-Schreiber que eu digo é que o objetivo da psicanálise não é curar. E foi Jacques Lacan [1901-1981] quem disse isso. Ele afirmou: "O objetivo da psicanálise é a compreensão de si mesmo, e a cura, quando ocorre, é um benefício em acréscimo". Eu sou médico, e o que me interessa é a cura. Toda minha vocação e meu interesse pela medicina está em aliviar o sofrimento. É bastante presunçoso escrever um livro com o título "Guérir" ["curar"], mas me permiti fazê-lo porque a definição de cura é muito simples: quando os sintomas da doença desaparecem e não retornam. O que constatei —e está nos livros científicos— é que vi repetidamente pessoas serem curadas desses males por esses métodos naturais, e os sintomas não reapareceram. Então, pode-se falar de cura. Apresente-me um estudo sobre a psicanálise que mostre isso. Não conheço nenhum. Mas não se trata de dizer que a psicanálise é uma perda de tempo. Depende do que você quer.

Folha - Por que falar, hoje, da medicina de "autocura pelo corpo"?
Servan-Schreiber - Se eu corto o dedo e provoco uma ferida, em alguns dias ela estará cicatrizada, e logo nem saberei mais onde foi o corte. No cérebro emocional, temos os mesmos tipos de mecanismos de adaptação, de cicatrização, que podem ser aprendidos por métodos naturais. Passei 20 anos estudando o cérebro. Pude constatar a eficácia desses métodos naturais de tratamento, os quais nunca me foram ensinados na universidade. Quando constatei que esses métodos funcionavam, e ainda melhor se comparados aos métodos tradicionais que havia aprendido, resolvi falar deles. Mas não inventei nada. Tudo o que está no meu livro são métodos já citados na literatura científica.

Folha - O que é essa "nova medicina emocional"?
Servan-Schreiber - A idéia central não é minha, mas, sobretudo, de António Damásio, que é para mim o maior neurocientista do mundo. Nos seus livros, ele diz que as emoções são emanações de tudo que se passa no corpo. A emoção é a sensação percebida do estado da fisiologia. Não há nenhum sentido em separar as emoções do que ocorre no corpo. Se vamos até o fundo da tese de Damásio, devemos passar pelo corpo, pelo estado da fisiologia, para transformar e curar os problemas das perturbações emocionais. O controle da coerência cardíaca, a hipnose usando os movimentos oculares, a terapia pela luz e pela simulação do nascer do Sol, a acupuntura, a nutrição, o exercício físico e também a importância do afeto, tudo isso são formas para aprender a utilizar o cérebro emocional e entrar em conexão para colocar a fisiologia no seu estado ótimo. Eu pego as idéias de Damásio e as levo até o limite, coloco sua teoria em prática. Aliás, é o que ele mesmo diz.

Folha - Alguns dos métodos que o sr. prega foram modismo nos anos 60 e 70, período fértil em terapias alternativas e de difusão do ioga e da acupuntura. A que o sr. credita o sucesso de seu livro hoje?
Servan-Schreiber - A primeira razão está relacionada ao fato de que se ouviu muito falar desses métodos por pessoas que não tinham credibilidade científica. O que interessava ao público era ouvir alguém como eu, que comandou o serviço de psiquiatria num hospital de uma grande universidade ortodoxa de medicina convencional, falando sobre isso. A mensagem nova foi alguém assim dizer que há coisas na literatura científica que funcionam bem e não são utilizadas como poderiam. Outra razão está relacionada a um movimento planetário, em que as pessoas desejam uma indústria não poluente e que produza, mesmo assim. Elas desejam uma agricultura que as alimente, mas que não as envenene. E o mesmo vale para a medicina, que utilize as capacidades do corpo para se reequilibrar, e que seja uma medicina "ecológica", natural.

Folha - Em resumo, seus métodos não trazem nenhuma novidade, mas a comprovação científica de técnicas já conhecidas.
Servan-Schreiber - A idéia de que se pode ser curado pela nutrição não é nova. Hipócrates já dizia isso. Acupuntura, nutrição, exercício físico, nada disso é novo. A coerência cardíaca é inspirada em tipos de meditação que datam de 5.000 anos. O novo é que começamos a ter estudos científicos que mostram que os métodos funcionam. Graças às novas técnicas de obter imagens do cérebro em atividade, começamos a entender como funciona a acupuntura, como certos pontos podem anestesiar o centro de ligação da ansiedade no cérebro. Isso é apaixonante. Na questão da nutrição, começamos a perceber no nível bioquímico a importância dos ácidos graxos ômega 3 na própria constituição das membranas neuroniais, no equilíbrio emocional e no controle das reações de inflamação no corpo. Isso é revolucionário. Sabíamos que a nutrição era importante, mas não com tanta precisão. O estudo sobre o papel dos animais de companhia no equilíbrio emocional data dos últimos cinco anos. Não é nenhuma novidade dizer que ter um gato ou um cachorro faz bem. Mas, sem os estudos científicos, não podíamos recomendar isso num dossiê médico no hospital. Por isso me senti capaz de colocar tudo num livro, com argumentos que pudessem convencer os leitores. Os estudos científicos são novidade, mas a maioria dos conceitos são antigos.

Folha - E quanto à coerência cardíaca?
Servan-Schreiber - A noção de coerência cardíaca é nova. Há uns 15 ou 20 anos compreendemos a importância da variabilidade do ritmo cardíaco em cardiologia. Mas sua compreensão no controle das emoções, sua importância para o controle do cérebro, começou a ser compreendida há cinco anos. Data de milênios a idéia de que se pode controlar o corpo pela respiração e pela concentração. Os budistas, por exemplo, compreenderam isso há 2.500 anos. Mas compreender como ela atua e precisar como se pode fazer isso da forma mais eficaz possível é que é novo.

Folha - O tipo de hipnose citado, que trabalha com a reprogramação dos movimentos oculares, pode realmente ajudar a resolver problemas emocionais?
Servan-Schreiber - A idéia de que se pode utilizar o movimento dos olhos e focalizar no corpo para estimular os mecanismo de digestão dos traumas emocionais foi inteiramente desenvolvida por Francine Shapiro, na Califórnia, em 1982. Há 14 estudos devidamente testados que provam esse método, recomendado por instituições médicas em vários países. O método foi aceito pelos ministérios da Saúde da Inglaterra, da Irlanda e de Israel. Mas ainda é algo bastante controverso. Há muitas pessoas que, apesar dos estudos científicos, não querem acreditar que funciona, porque não entendem como funciona.
Folha - O senhor diz que os Estados Unidos destinam anualmente US$ 115 milhões para experimentação e avaliação desses métodos. Há um grande atraso nessas pesquisas nos demais países?
Servan-Schreiber - A França é um caso particular, porque o público é extremamente aberto, e as instituições, extremamente conservadoras. Há uma tensão incrível. Era o caso nos EUA, e foi preciso um grande esforço para chegar aonde se está hoje. Foram os parlamentares que obrigaram o Instituto Nacional de Saúde americano a criar um centro de pesquisas sobre as medicinas complementares. Depois, a coisa decolou. Nunca houve um aumento de orçamento tão rápido. Começou com US$ 1 milhão por ano, em 1992, para chegar a US$ 110 milhões, em 2002.
Folha - O senhor relata no livro experiências realizadas em empresas. Existe algum programa de utilização desses métodos nas escolas?Servan-Schreiber - Sei que existe um projeto em estudo pelo Ministério da Educação da Grã Bretanha envolvendo cerca de 40 mil alunos, para ensiná-los a praticar a coerência cardíaca para melhor administrar suas emoções e suas próprias capacidades de concentração. Por enquanto, ainda é um projeto piloto.

Folha - Suas teses têm provocado polêmica na comunidade científica?
Servan-Schreiber - Até agora, não houve um verdadeiro debate na França. Na Suíça, há neurologistas e psiquiatras que discordam das minhas teses. Fico extremamente contente com esses debates. A principal crítica que recebo é do tipo "se tudo isso fosse verdade, todos saberiam", e não aceito esse argumento. Tudo já é sabido, está escrito nos livros científicos, mas o problema é que há pouca motivação para desenvolver essas técnicas. Não se pode patenteá-las, pois são técnicas naturais. Ninguém poderá patentear os peixes que têm ômega 3, o controle da respiração, a acupuntura, os exercícios físicos, o afeto, a luz, a hipnose. Portanto, não se poderá ganhar dinheiro com essas patentes, o que é uma motivação a menos. Em segundo lugar, todos esses métodos exigem muito mais tempo do médico do que escrever uma prescrição de Prozac, que leva dois minutos.

Folha - O seu discurso, por vezes, assemelha-se a aforismos budistas.
Servan-Schreiber - Gosto bastante da expressão "mind-body medicine" ["medicina do corpo e da mente"]. Ela define a integração do que existe de melhor na medicina convencional com o que funciona nessa medicina que utiliza as capacidades de autocura do organismo. Mas não é preciso se tornar um budista. Estive recentemente num debate com o dalai-lama [líder espiritual do budismo tibetano], em Boston, e ele disse ao final de sua conferência: "Você não precisa crer na reencarnação, no nirvana ou nas divindades budistas. Comece simplesmente tendo mais emoções positivas do que negativas e a concentrar seu espírito e sua atenção nisso. Já assim você começará a ser um ser humano muito mais evoluído".







A aproximação entre a Psicologia Analítica de Carl G. Jung e a Astrologia teve início em 1936, a partir da publicação do livro " A Astrologia da Personalidade", de autoria de Dane Rudhyar, músico, astrólogo e poeta francês, em Nova York.

Diz ele:
"Só me familiarizei completamente com as idéias de Jung no verão de 1933, enquanto estava no rancho do Novo México, onde li todas as suas obras até então traduzidas. Imediatamente me ocorreu que poderia desenvolver uma serie de conexões entre os conceitos de Jung e um tipo reformulado de Astrologia."(1)

Rudhyar, dono de uma cultura e sensibilidade extraordinárias, foi o precursor da chamada Astrologia Humanista, que em essência significa ser mais centrada na pessoa, pois transfere a ênfase do mundo exterior (eventos) para o mundo interior da experiência e do crescimento pessoal. Seu foco está mais na relação que o indivíduo estabelece com o que lhe acontece, e com o significado da vida. A mandala zodiacal é um complexo símbolo cósmico de totalidade e, como tal, representando a potencialidade da estrutura da personalidade humana.

O presente artigo pretende analisar este rico entrelaçamento teórico a partir de dois constructos teóricos da psicologia junguiana e da Astrologia, que vêm a ser respectivamente:

1- A analogia entre a teoria dos quatro tipos psicológicos e as quatro funções da consciência, que são: intuição, sensação, pensamento, sentimento; e os quatros elementos, que são: fogo, terra, ar e água.

2- O conceito de individuação é o cerne da teoria de Jung e o objetivo de sua prática psicoterapêutica. Esse processo é um impulso natural do desenvolvimento do homem, e representa a possibilidade de integração de forças opostas da natureza, através do qual acontece uma gradual conscientização do homem em direção ao Si-mesmo, ( Self) uma árdua tarefa que perdura até o final da vida.
Os ciclos astrológicos mostram a estrutura da personalidade (presente na carta astrológica) em movimento, já a partir do nascimento, e irão revelar as inúmeras etapas de crescimento e transformação a serem percorridas durante a vida.

Os quatro tipos psicológicos e os quatro elementos

Na visão da Psicologia Analítica, a psique tem alguns modos básicos de funcionamento. Os conceitos junguianos de extroversão e introversão baseiam-se no movimento da libido em relação ao objeto. Na atitude extrovertida ela flui em direção ao objeto, e no caso da introversão, ela recua frente ao objeto. Nesse modo estrutural em que se percebe uma dualidade direcional psíquica, há também uma estrutura quaternária: as quatro funções da consciência, que mostram como a energia psíquica opera. São elas:

1. função sensação, que registra conscientemente fatos exteriores,
2. função intuição, que indica a apreensão de potencialidades futuras,

3. função pensamento, por meio da qual o nosso ego estabelece uma ordem lógica racional entre os objetos,

4. função sentimento, que seleciona hierarquias de valor para o mundo, de afeição ou rejeição pelo objeto.

A Astrologia de base junguiana pensou e relacionou os quatro tipos psicológicos e as quatro funções com a sua teoria dos quatro elementos.
Uma das premissas astrológicas é que tudo no Universo deriva de duas forças opostas e complementares, dois princípios universais, que podem ser chamados de masculino e feminino, ativo e passivo, ou yin e yang, como na milenar concepção chinesa de equilíbrio dos opostos.
Os doze signos do Zodíaco produzem seis pares de eixos opostos entre si, que são os chamados signos masculinos e femininos, dispostos de forma alternada no diagrama zodiacal.
Os primeiros associam-se à idéia de ação, extroversão, dinamismo, e sua energia é centrífuga por excelência. Os signos femininos, ao contrário associam-se à energia da receptividade, suavidade, imobilidade, e sua expressão básica é centrípeta ou introvertida.

Neste modelo energético e psíquico, há também outra subdivisão que, de forma semelhante à concepção junguiana, indica quatro formas psicológicas distintas, de apreensão da e adaptação à realidade, chamados os quatros elementos: fogo, ar, terra e água.
A associação feita em termos psicológicos, ou seja, características funcionais, ou mais típicas em cada indivíduo é que o fogo está relacionado ao tipo intuição; a terra ao tipo sensação, o ar ao tipo pensamento, a água ao tipo sentimento.

As características mais marcantes dos quatro elementos são:
Fogo: vitalidade, energia, alegria, auto-afirmação, aspirações, agilidade, orgulho, desejo de auto- reconhecimento, calor, entusiasmo, excessos.
Terra: controle, cautela, determinação, lentidão, retenção, mundo físico, resistência, persistência, cinco sentidos.
Ar: pensamento, comunicação, idéias, movimento, leveza, sociabilidade, imparcialidade, curiosidade, flexibilidade, mundo abstrato.
Água: sentimento, subjetividade, intimidade, fantasia, imaginação, reserva, auto-proteção, profundidade, vulnerabilidade, empatia.

Individuação e Ciclos de Desenvolvimento

A individuação, como vimos, é um processo de reflexão que possibilita um criativo diálogo entre o inconsciente e a consciência, podendo se manifestar como mais autonomia e a expressão da nossa individualidade única e singular. Esse caminho de emancipação e de integração da personalidade subentende uma maior liberdade em relação às forças do Inconsciente Coletivo e o fim da submissão inconsciente ou compulsiva aos valores sociais, aos complexos parentais, culturais ou religiosos da sociedade. É o emergir da essência em detrimento da aparência, a integração de aspectos contraditórios e obscuros da psique, ir além das limitações do nosso intelecto, as experiências transcendentes ou de cunho religioso junto à apreensão do sentido ou significado para a vida.
Cito Irene Gad:
"Tornar-se o ser desejado não representa o processo de tornar-se perfeito; ao contrário, significa tornar-se ciente dos próprios ângulos e arestas, do movimento próximo ao desconhecido e do nosso potencial". (2)
De forma análoga, tanto as imagens alquímicas estudadas por Jung refletem a opus individual, quanto os símbolos astrológicos e seus ciclos de desenvolvimento são a mesma representação do processo de individuação, nas diferentes etapas de crescimento em direção à maturidade psicológica.

Na Astrologia e, mais especificamente no mapa natal, essa individualidade ou a " impressão celestial" , única e intransferível, existe em estado latente em todo ser que nasce.
O mapa astrológico, como uma estrutura de espaço e tempo, pode indicar, através das técnicas preditivas (trânsitos e progressões planetárias), como e quando o seu potencial estará mais em evidência, indicando a realização das várias fases desta "intenção original".
Dito de outra maneira, os ciclos astrológicos podem mostrar de forma individualizada a manifestação ou constelação de certos arquétipos que num dado momento estão dialogando entre si, e esta configuração tem um significado a ser apreendido.

Portanto, neste contexto, estamos falando do tempo qualitativo, e dos eventos sincronísticos, entendendo que a sincronicidade é uma coincidência significativa de dois ou vários eventos, sem relação causal, mas com o mesmo conteúdo significativo.
A necessidade de conhecer e decifrar o mundo nos acompanha desde sempre e portanto ela é arquetípica ou comum a toda a humanidade.

Cito Gad novamente:
" O símbolo é, a princípio, algo comum que aponta, para além da sua realidade concreta, para uma base cujo significado mal podemos apreender de início. Freqüentemente os símbolos são encontrados em situações existenciais que eles podem ajudar a esclarecer; o significado e a importância da situação é assim revelado" . (3)
Finalizo com citação de Maroni:
"Todo esse percurso psicológico sugere-me um refletir sobre si mesmo, um curvar-se, uma dobra. É dessa dobra que emerge o homem espiritual para Jung: um homem capaz de apreender em grande parte o seu padrão (energético) imagético, poético, arquetípico... Este estado lhe garante liberdade, flexibilidade, variabilidade, imprevisibilidade e, em especial, espiritualidade". (4)
Por Tereza Kawall

Notas:
1- RUDHYAR, Dane. Da Astrologia Humanista à Astrologia Transpessoal, Rio de Janeiro, Antares, 1985. Pág 12.
2 GAD, Irene. Tarot e Individuação: correspondências com a cabala e alquimia, São Paulo, Mandarim, 1996. Pág 135.
3- GAD, Irene. Pág 136.
4- MARONI, Amnéris. Figuras da Imaginação - Buscando compreender a psique.
São Paulo, Summus, 2001. Pág 141.