Esperança na Desesperança

foto: Araquem Alcantara


A desesperança nasce da consciência sobre as carências do Homo
sapiens/demens e das manifestações históricas do ruído e do furor
que, tantas vezes fizeram tábula rasa da razão e do amor. Essa
dialógica dispõe de seis princípios de esperança na desesperança:

·Princípio vital: assim como tudo o que vive se auto-regenera numa
tensão irredutível para o futuro, também todo o humano regenera a
esperança regenerando sua vida. Não é a esperança o que faz viver,
é o viver que cria a esperança que permite viver.

·Princípio do inconcebível: todas as grandes transformações ou
criações foram impensáveis antes de ocorrer.

·Princípio do improvável: todos os acontecimentos felizes da história
foram, a priori, improváveis.

·Princípio da toupeira: que cava suas galerias subterrâneas e
transforma o subsolo antes que a superfície se veja afetada.

·Princípio de salvação: é a consciência do perigo que, segundo
Hölderlin, sabe que "onde cresce o perigo, cresce também o que salva".

·Princípio antropológico: é a constatação de que Homo
sapiens/demens usou até o presente uma pequena porção das
possibilidades de seu espírito/cérebro. Isso supõe compreender
que a humanidade se encontra longe de ter esgotado suas
possibilidades intelectuais, afetivas,culturais, civilizacionais,
sociais e políticas.

Nossa cultura atual corresponde ainda à pré-história do espírito
humano e nossa civilização não ultrapassou a idade de ferro planetária.

Estes princípios não trazem consigo nenhuma segurança, mas não
podemos livrar-nos nem da desesperança nem da esperança. A
odisséia da humanidade permanece desconhecida, mas a missão da
educação planetária não é parte da luta final, e sim da luta inicial pela
defesa e pelo devir de nossas finalidades terrestres; a salvaguarda da
humanidade e o prosseguimento da hominização. (p.111)

Morin Edgard, Ciurana E & Motta R 2003. Educar na era planetária
O pensamento complexo como método de aprendizagem pelo erro e
incerteza humana
.Cortez Editora, São Paulo.

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