Alma, Ainda e Sempre

Roberto Gambini, analista junguiano, autor de " A Voz e o Tempo".
"Há portanto muito o que conhecer, há muitas ilusões e fantasias de que é preciso nos livrarmos , e voltemos ao princípio: todo esse trabalho, toda essa aventura, todo esse gasto- porque o paciente gasta muito dinheiro, e o terapeuta se gasta- é feito em nome de se buscar uma evolução para o simples ser humano que somos, para que possamos viver com mais profundidade e atuar no mundo com o que possivelmente de melhor tenhamos, para que possamos fazer uma pequena diferença nisso que nos cerca, sem arrogância, heroísmo ou superioridade, dando assim consistência empírica a essa experiência que chamamos alma. E o nome, afinal, não importa tanto assim - pode-se até adotar outro. Troca-se o nome, mas há uma dimensão sutil, uma experiência chamada alma.E ao dizer isso, ouço dentro de mim uma voz de alerta, de que até a palavra ' alma' está se banalizando. Círculos de discussão há em que o tema virou feijão-com-arroz: tudo é alma, tudo vale se feito em seu nome. Dessas discussões resulta um palavrório imponente, quase um tópico literário. Para mim, a alma não é um assunto leve: seu âmbito é grave e pouco verbalizável, caso contrário o ouro em pó é varrido pelo vento".
Extraído do livro: A Voz e o Tempo - Reflexões para jovens terapeutas.
Ateliê Editorial, são Paulo, 2008.

Voltar às raízes

Joan Chittister, freira beneditina, palestrante e escritora, voz importante na espiritualidade contemporânea.


"Porque apenas não partimos de onde estamos, largamos o que estamos fazendo e "nos afastamos de tudo"? Poque não podemos. Porque simplesmente não é possível. Em primeiro lugar, o poder daquilo que nos é familiar nos chamará de volta sempre. De onde viemos é uma grande parte daquilo que somos. É a raiz da nossa identidade, o lugar do nosso crescimento. Nâo pode ser simplesmente ser desprezado, porque não está fora de nós; está dentro de nós - e sempre estará. Lutar com nossas raízes faz parte do crescimento espiritual humano."


" Precisamos, solitários naturais ou não, da oportunidade de às vezes dar uma volta amigável pelo deserto da nossa vida com os outros que trilham o mesmo caminho, na esperança de que eles possam enxergar o terreno com novos olhos.

"Precisamos refletir com outras pessoas sobre as perguntas que nos atormentam. Buscamos compreender com os outros que podem ser mais sábios que nós....

Também precisamos oferecer nossos próprios dons de forma que não nos tornemos o santuário do minúsculo deus ao qual adoramos".

"Por fim, não vivemos por causa de nós mesmos. Como os magos da história de Natal, todos viemos carregando presentes como ouro, incenso e mirra - recursos, espírito e cura - que nos foram dados por causa dos outros, para que o mundo possa se tornar um lugar melhor porque estivemos aqui. Afinal de contas , nós seguimos o Jesus que deu todos os seus presentes por causa daqueles que viriam.
"Afastar-se de tudo" então é um mito. Esse não é o propósito da vida. O propósito da vida é ir onde precisamos ir - aonde quer que seja - para obter mais do que a nossa alma deve ter para fluir outra vez".



Extraído do livro: Bem-vindo à sabedoria do mundo
Joan Chittister
Editora Thomas Nelson Brasil
Rio de Janeiro , 2008












Mathieu Ricard, monge francês, assessor do Dalai Lama, doa os dividendos da venda de seus livros para monastérios e obras de caridade.

Nos últimos anos vem crescendo de forma expressiva o interesse pelo tema da " Felicidade".
Pesquisas nos meios acadêmicos, um grande número de livros e revistas, e o avanço da linha da chamada Psicologia Positiva a partir dos anos 80 evidenciam que há algo que muitos de nós estamos querendo entender em toda a sua extensão de significados.

Aquilo que é chamado de “ bem estar subjetivo” seria o quê? Satisfação dos desejos, riqueza material, sucesso profissional, viajar pelo mundo, ter um corpo belo e saudável, encontrar um par perfeito.... Ou seria algo de natureza intrínseca e idiossincrática, uma questão de temperamento geneticamente explicada,
uma liberdade interna, ou flexibilidade psíquica baseada em princípios religiosos?

O tema da busca da felicidade há séculos ocupa a mente de sábios, filósofos e religiosos, afinal, é um tema que permeia a história da humanidade, abrangendo as indagações relacionadas ao sentido da vida: o que estou/estamos fazendo aqui?

Na enxurrada de informações que seguramente podem jogar uma luz sobre este tema tão importante e porque não dizer, necessário aos nossos dias atuais, há um livro muito especial, escrito por um monge budista francês, Matthieu Ricard, que mora na Índia há muitos anos, chamado: “Felicidade, a prática do bem-estar”.
Entremeando temas como emoções, desejos, filosofia, humildade, meditação e neurociência, budismo, psicologia, ética, e sobretudo, mostrando exercícios práticos para a conquista de uma mente mais serena e feliz, o livro é um presente para os buscadores da verdade e do conhecimento de si mesmo.

Alguns trechos do livro:

Treinando o bem estar:
“ Vim a entender também que, apesar de algumas pessoas terem uma inclinação natural para serem mais felizes do que outras, essa felicidade ainda é vulnerável e incompleta, e que alcançar a felicidade duradoura como modo de ser é uma habilidade que se adquire. Isso requer esforço constante no treino da mente e no desenvolvimento de qualidades com paz interior, atenção plena e amor altruísta”
Sobre o contentamento:“ Cada ser tem em si o mesmo potencial para a perfeição, da mesma maneira que cada semente de gergelim tem seu próprio óleo. Ignorância, neste contexto, significa não estar consciente desse potencial, como um mendigo que não sabe da existência de um tesouro enterrado sob o seu barraco. Conhecer a nossa verdadeira natureza, e tomar posse desse tesouro esquecido, nos permite viver uma vida repleta de significado, Esse é o caminho mais seguro para encontrar a serenidade e deixar florescer o altruísmo genuíno.
Existe uma maneira de ser que subjaz a todos os estados emocionais e está presente na substância de que somos feitos, abrangendo todas as alegrias e sofrimentos que vêm a nós. A palavra em sânscrito para esse estado é sukha.

Sukha é o estado permanente de plenitude e bem-estar duradouro que se manifesta quando nos libertamos de cegueira mental e das emoções aflitivas. É também a sabedoria que nos permite ver o mundo como ele é, sem véus ou distorções. É por fim, a alegria de dirigir-se para a liberdade interior e a bondade amorosa que irradia em direção aos outros.”
Felicidade como estado de espírito:" A felicidade, como será tratada nesse livro, é a profunda sensação de florescer que surge em uma mente excepcionalmente sadia. Isso não é meramente um sentimento agradável, uma emoção passageira ou uma disposição de ânimo: é um excelente estado de ser. A felicidade é também uma maneira de interpretar o mundo, pois, se às vezes pode ser difícil transformá-lo, sempre é possível mudar a maneira de vê-lo”.

Felicidade e bens materiais:
“ É ingênuo imaginar que só as condições externas podem assegurar a felicidade. Esse caminho certamente nos levará a um despertar doloroso. Como disse o Dalai Lama: “ Se um homem que acaba de mudar para um luxuoso apartamento no centésimo andar de um prédio novinho em folha sente-se muito infeliz, a única coisa que ele vai procurar é uma janela de onde possa se atirar”.
Quantas vezes já ouvimos que o dinheiro não traz a felicidade, que o poder corrompe os honestos e que a fama arruína a vida particular? O fracasso, a ruína, a separação, a enfermidade e a morte estão sempre prontas para reduzir a cinzas o nosso cantinho do paraíso”.

Extraído livro:
Felicidade – a prática do bem estar
Editora Palas Athena, 2007, São Paulo.

Siga sua Vocação








Joseph Campbell (1904-1987)
Extraordinário professor de mitologia comparada, escritor e orador, autor de diversos livros dedicou sua vida à pesquisa da odisséia humana nos mitos de inúmeros povos, de diferentes épocas, e com sua forte intuição, encontrou semelhanças significativas e pontos em comum entre eles. Campbell considerava a mitologia “o canto do universo; a música da imaginação inspirada nas energias do corpo”.

Follow your bliss.

Esta é uma expressão marcante no trabalho de Campbell. A palavra bliss é freqüentemente traduzida como felicidade. No conceito campbelliano, porém, representa a busca pelo caminho pessoal, ainda que possamos passar por dores, alegrias, sofrimentos ou êxtase. Bliss é algo que não podemos deixar de fazer, é um chamado.

Dizia ele:
“O caminho para descobrir alguma coisa a respeito de sua própria felicidade é concentrar a atenção nesses momentos em que você se sente mais feliz, em que você está realmente feliz....Isso exige um pouco de auto-análise. O que é que o torna feliz? Não arrede o pé daí, não importa o que as pessoas digam. Isso é o que eu chamo de “perseguir a sua bem-aventurança”.

“Minha formula geral para meus estudantes é: persiga a sua bem- aventurança. Ache onde ela está e não tenha medo de segui-la, as portas se abrirão onde você não imaginaria que elas estivessem”

Este é o chamado presente na jornada herói, presente em tantas culturas, a busca por aquilo que realmente importa, a rota da individualidade, onde será forjada a consciência do si-mesmo, do Self.

“A jornada do herói representa a coragem de procurar as profundezas; a imagem do renascimento criativo; o eterno ciclo de mudanças dentro de nós; a misteriosa descoberta de que o buscador é o próprio mistério que ele busca conhecer. A jornada do herói é um símbolo que, no sentido original do termo, liga duas idéias distantes , a busca espiritual dos antigos com a moderna procura de identidade, “sempre a mesma história que encontramos, sob formas mutáveis e, no entanto, maravilhosamente constante”.




Phil Cousineau, introdução ao livro A Jornada do Herói, de Joseph Campbell,
eEditora Ágora,2003)

Mahatma Gandhi



Mahatma Gandhi
2/10/1869 - 30/01/1948



Eu Creio

Creio em mim mesmo

Creio nos que trabalham comigo,

Creio nos meus amigos e creio na minha família,

Creio que Deus me emprestará tudo o que necessito para triunfar,

contando que eu me esforçe para alcançar com meios lícitos e honestos.

Creio nas orações e nunca fecharei meus olhos para dormir,

sem antes pedir a devida orientação

a fim de ser paciente com os outros

e tolerante com os que não acreditam no que eu acredito.

Creio que o triunfo é resultado de esforço inteligente,

que não depende da sorte, da magia, de amigos,

companheiros duvidosos ou de meu chefe.

Creio que tirarei da vida exatamente o que nela colocar.

Serei cauteloso quando for tratar os outros,

como quero que eles sejam comigo.

Não caluniarei aqueles que não gosto.

Não diminuirei meu trabalho por ver que outros o fazem.

Prestarei o melhor serviço de que sou capaz,

porque jurei a mim mesmo triunfar na vida,

e sei que o triunfo é sempre resultado

do esforço consciente eficaz.

Finalmente, perdoarei os que me ofendem,

porque compreendo que às vezes

ofendo os outros e necessito de perdão.


Link: http://pt.wikipedia.org/wiki/mahatama_gandhi

http://www.palasathena.org/


A evolução consciente

Roberto Crema e Jean Yves Leloup

A Evolução Consciente

O ser humano introduziu no planeta uma nova qualidade evolutiva, que é a evolução intencional, consciente, voluntária. A pessoa evolui se quiser, se desejar, à medida que enveredar no caminho da individuação.

Há que sair dos trilhos populares e viciados da normose, para tomar as incertas e criativas trilhas evolutivas, nas quais enfrentará seus medos, atravessará muitos portais, e, em algum momento justo, florescerá com vigor, ternura e poesia.

É uma grande aventura tornar-se humano, sujeito da própria existência, ser dotado de um semblante único e assumir a direção dos próprios passos, realizando, assim, a promessa inerente ao seu mistério.

Fazer render os talentos vocacionais é o que caracteriza um existir pleno.

Para isso, convocamos a nós mesmos a existir, a trazer uma novidade, um canto novo, uma dança nova... Não nascemos para morrer, nascemos para ser.

Livro: Normose- A patologia da normalidade
Verus Editora

Distraídos do Essencial

Tereza Kawall
Pensando bem, nossos problemas atuais não são de natureza econômica, política, científica, ambiental, seja lá o que for.
Nosso verdadeiro e incomensurável problema é inequivocamente o homem, nossa humanidade, assim chamada por aquilo que deveria nos definir como humanos.
Aqui, leia-se e entenda-se “ consciência” com tudo o que ela representa, sem licença poética, em um contexto racional, ético, moral, que pode discriminar valores, e que teoricamente é o que nos diferencia das plantas, dos animais,das borboletas, dos peixes, da grama, das formigas, dos sabiás, das conchas, das pedras, dos minérios e do orvalho matinal.

Ah, sim, fazemos rituais para nossos mortos, abraçamos a religião como suporte para o viver, fazemos filosofia, leis, manifestações artísticas de toda ordem.
Construímos incríveis túneis aquáticos e pontes quase aéreas, maravilhas da tecnologia moderna.
Aquele que chamamos de “ arranha-céu” também perfura as entranhas da Terra, fazendo-a afundar sob o peso do poder econômico e seus desvarios gananciosos.
Artefatos da cultura? Milhares deles, dos mais sofisticados aos mais cafonas, dos mais úteis aos mais inúteis, nos deliciamos com nossos coloridos celulares, lap tops, mágicos brinquedinhos que geram rapidez, dependência e algumas inseguranças a mais.

Claro, temos lindas naves espaciais e satélites que rasgam aos céus para desvendar os segredos do cosmos, quem sabe nossa origem. Macacos me mordam!
Arrancamos inúmeras riquezas de nosso abençoado solo , do mar, e para não soar repetitivo demais, derrubamos florestas centenárias em alguns poucos minutos, mesmo já sabendo e vivenciando as conseqüências destes atos.

Ninguém mais duvida:a natureza quando está irada não tem piedade de nada e ninguém, sua força é inexorável quando seus quatro elementos, fogo, ar, terra e a água intensificam a sua ação de forma extremada.

Desejo e ganância dão-se as mãos e caminham céleres rumo aos pódios dos especuladores sorridentes – nosso capitalismo é mais que selvagem, é por assim dizer, criminoso, concentrando riquezas, privilegiando poucos, e asfixiando a grande maioria.
Bem, também já deciframos as seqüências dos códigos genéticos, para o bem e para o mal, pois bem sabemos que a Mãe Natureza tem muito ciúmes de seus segredos.
A medicina tradicional tem feitos espetaculares, nosso cérebro é mapeado e desvendado em tempo real, bem colorido, parece até um arco-íris!

Agora é bacana afirmarmos, com orgulho que em breve viveremos até 120 anos! Só não nos explicam para quê. Pudera, a lucrativa indústria farmacêutica não tem que ficar explicando tudo para nós; morrer e envelhecer são assuntos antiquados.
E vamos por aí, aspirados, siliconados, contando para nós mesmos as mentiras e ilusões da eterna juventude!

Nossa maravilhosa civilização calcada na razão e no progresso nos prometeu o conhecimento, a tecnologia e a ciência como pressupostos de bem estar e felicidade.
Lembram do ócio criativo? Será que vingou?
Os artefatos eletrônicos não deixam mais tempo para estados mentais mais relaxados -estamos plugados, é o que interessa.
Ficar muito ocupado dá status, a ainda de quebra impede o olhar para dentro, para a reflexão óbvia: para quê tudo isso, afinal?

Drogas potentes para todas as mazelas psíquicas: bulimia, transtornos vários, obsessões, depressões... não dão conta de silenciar e abafar os sintomas mundiais: nossa alma coletiva está doente. Existe alguma UTIBH, Unidade de Tratamento Intensivo para a Burrice Humana?

Pobre ser humano, uma solitária alma penada, que ainda não desvendou a si mesmo, vive a mercê seus anseios, refém de seus demônios. É um herói, que inspirado por um ideal que Prometeu um dia sonhou, anda por aí, capenga e inseguro, torturado pelo medo, pelas doenças e por um futuro pouco promissor – qual é mesmo a sua nobre causa?
Alguém se lembra?

Conheço tantas coisas, mas meu eu é, freqüentemente, um abismo a espera de um amanhecer mais suave e ameno.
Somos distraídos do essencial e atraídos, como um imã, pelo superficial?

A consciência humana vive uma fase crepuscular, embora muitos, de forma muito silenciosa e menos ostensiva façam a sua parte, cuidando de seus jardins, semeando outras formas de vida, trabalho e convivência. Como diz Leloup, as florestas crescem silenciosamente.
É urgente mudarmos este estado de coisas, é urgente fazermos uma revolução espiritual que nos faça mais serenos, e mais capacitados para o perdão, para uma vida mais amorosa e portanto, mais felizes.

Links:
http://www.intuição.com/
http://www.ive.org.br/
http://www.imagensdapaz.org.br/
http://www.jeanyvesleloup.com/
http://www.bkumaris.org.br/

Compaixão

Sua Santidade, o Dalai Lama


"Que eu me torne em todos os momentos,

Agora e sempre,

Um protetor para os desprotegidos,

Um guia para os que perderam o rumo,

Um navio para os que têm oceanos a cruzar,

Uma ponte para os que têm rios a atravessar ,

Um santuário para os que estão em perigo,

Uma lâmpada para os que não têm luz,

Um refúgio para os que não têm abrigo

E um servidor para todos os necessitados"
-----------------------------------------------------
"A tarefa do homem é ajudar os outros.
Este é o meu ensinamento mais constante,
esta é a minha mensagem.
É a minha crença.
Para mim, a questão fundamental
É estabelecer melhores relacionamentos,
sobretudo entre as pessoas-
E de que forma podemos contribuir para isso"
-------------------------------------------------
Do livro:
O caminho da tranquilidade,
Editora Sextante.

Elegância do comportamento



É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-las nas pessoas que não usam um tom superior de voz.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais. Estas se preocupam com os outros

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

É elegante não ficar espaçoso demais.
E pensar mais nos outros que em si é extremamente elegante.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.É muito elegante não falar em dinheiro em bate-papos informais.É elegante retribuir carinho e solidariedade.

Sobrenome, jóias, e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante, a ser generosa com os mais necessitados.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

Educação enferruja por falta de uso, e até a pessoa mais elegante pode se tornar inconveniente ou indelicada com a convivência com pessoas vulgares e de espiríto grosseiro.

Porque a lei da atração diz: "Semelhante atrai semelhante".

Cuidado com suas companhias e com os lugares que voce frequenta.Alimente seu espírito com pensamentos nobres e elevados.

Ande na contramão da maioria que se vulgariza e as conversas só giram em torno de assuntos chulos.
As artes, e em especial a música clássica sensibilizam e refinam o espírito. Voce é especial e único!

E nos dias de hoje ser elegante é SER DIFERENTE.

"LEMBRE-SE de que colheremos, infalivelmente aquilo que houvermos semeado.
Se estamos sofrendo, é porque estamos colhendo os frutos amargos das sementeiras errôneas.
Fique alerta quanto ao momento presente.
Plante apenas sementes de sinceridade e de amor, para colher amanhã os frutos doces da alegria e da felicidade

Cada um colhe, exatamente, aquilo que plantou."



Às vezes, informações preciosas e profundas chegam para nós como uma lufada de vento que passa ligeiro.

Se o espírito está atento, elas acendem uma luz no painel elétrico do cérebro, aguçam nossa intuição..... hummm, aí tem coisa.

Uma amiga me disse hoje estar praticando um simples exercício matinal, ao alcance de todos, e que consiste em olhar-se no espelho pela manhã, sorrir e dizer " bom dia"!
Já ouço vozes.
Dirão os racionais que tudo sabem: prá quê?
Dirão os mau humorados: que piada de mau gosto...
Dirão os céticos e apressados: tenho outras prioridades.
Balbuciarão os sonolentos: ah, deixa prá mais tarde...

O espelho nos informa, corretamente, só aquilo que ali está: eu.

Mas meu olhar crítico me informa o que está faltando, o que está desalinhado, inchado, caído, manchado, estranho - pele, dentes, cabelo, olhos.

Porquê gostamos tão pouco de nós mesmos, se justamente quem está ali me olhando é inequivocamente eu mesmo(a)?
Porquê é tão difícil fazermos por nós mesmos algo tão simples, um gesto de cumplicidade e simpatia, e que poderia modificar a cor, forma e conteúdo do dia que ainda tenho pela frente?

O que nos ensinam afinal, os inúmeros livros de auto-ajuda, espremidos nas prateleiras das livrarias? amor próprio, tolerancia, confiança, aceitação... é mesmo....?
O que nos disse o Mestre " ama teu próximo, como a ti mesmo"?

Posso me indignar e magoar com a falta de atenção e afeto do outro
No entanto, com que tipo de olhar posso me agradar de manhã; sinceramente, gosto mesmo de mim?
Saia do piloto automático: lavar, limpar, escovar, hidratar, seja lá o que for.

Só um sorriso. Uma chance, um presente.
Será uma vitamina para o espírito, um " up grade" na paisagem interior.
Com efeitos antixodantes para a sua alma.

Vale tentar!


Tereza Kawall


Concentração

Por Gary Snyder

No espírito da concentração

Todos nós somos aprendizes do mesmo professor que as instituições religiosas originalmente utilizaram: a realidade. O insight da realidade diz... controle as 24 horas.

Faça-o bem, sem autocomiseração. É tão difícil colocar as crinças agrupadas no carro, descer a estrada para pegar o onibus, quanto cantar sutras num templo budista numa fria manhã.

Um passo não é melhor do que o outro, cada um deles poder ser bem enfadonho, e ambos têm a qualidade virtuosa da repetição. Repetição e ritual e seus bons resultados aparecem sob
muitas formas.

Mudando o filtro, assoando o nariz, indo a reuiões, arrumando a casa, lavando pratos, verificando a vareta do óleo - não pense que essas tarefas desviam sua atenção de suas buscas mais importantes.

Essa roda viva de afazeres comésticos, de que esperamos nos livrar para que possamos
entrar na nossa " prática", é ela que nos calocará na trilha - esta é a nossa trilha.



Extraído do livro " A Mente Alerta ".


Título original: " Wherever you go, there you are", de Jon Kabat-Zinn, Editora Objetiva.











O Jardim da Fé


Clarissa Pinkola Estés

Sei que aqueles que sob certos aspectos e por algum tempo estão afastados da crença na própria vida acabam sendo os que perceberão que o Éden está por baixo do campo nú, que as sementes novas vão primeiro para os lugares vazios - mesmo quando esse local é um coração de luto, uma mente torturada ou um espírito devastado.

Qual é esse processo do espírito e da semente , cheio de fé, que toca o solo nu e o torna rico de novo? Não tenho a resposta completa. Só sei o seguinte: aquilo a que dedicamos nossos dias pode ser o mínimo do que fazemos, se não compreendermos também que algo espera que a gente abra espaço para ele, algo que paira perto de nós, algo que ama, e que espera que o terreno certo seja preparado para que ele possa se revelar.

Estou certa de que, enquanto estivermos aos cuidados dessa força de fé, aquilo que pareceu morto não estará morto, aquilo que pareceu perdido também não estará mais perdido, aquilo que alguns alegaram ser impossível tornou-se nitidamente possível, e a terra que está sem cultivo apenas está descansando - à espera de que a semente venturosa chegue com o vento, com todas as bençãos de Deus. (*)

E ela chegará.

*= Ruach é o vento hebreu da sabedoria, que une os humanos a Deus. Ruach é o alento de Deus que se estende até a terra para despertar e voltar a despertar almas.

Extraído do livro: O Jardineiro que tinha fé
Editora Rocco, 1996

Conhece a ti mesmo



Tereza Kawall

Quem já não teve muitas dúvidas, medos e frio na barriga na hora de escolher uma profissão e, sobretudo, se preparar para enfrentar o pente fino do vestibular?
Resposta fácil: ninguém!

As diversas etapas que atravessamos durante a vida vão acontecendo de forma mais ou menos consciente.
A ingenuidade e as descobertas da infância, a adolescência e suas saudáveis transgressões, o inesquecível primeiro amor, as novas amizades que vão se entrelaçando com nossos novos interesses. Tudo vai mudando: nós, os cenários, os desejos e as pessoas.
De um jeito ou de outro, somos levados pelas ondas do viver, surpresas, frustrações e conquistas se sucedem. Vamos “ surfando” ora em mares mais azuis, ora em mares com ventos e estranhas correntezas.

Ao chegar a hora do vestibular e da escolha profissional.... bem, aí as coisas mudam, e como!
É tão difícil parar para pensar, abraçar o não-saber, fechar os ouvidos para todas as “ sábias” sugestões e opiniões que chegam por todos os lados.
O mundo faz tanto barulho, fala alto, coisifica nossos sonhos – quanto custará o meu?
Claro que a informação é necessária e especialmente aquela que pontua, esclarece e confirma um dom ou interesse pessoal.


No entanto, há uma outra informação que está DENTRO de nós, ás vezes até meio escondida, e que de alguma forma sempre esteve lá. Talvez vestida de fantasias e devaneios fortuitos, não disponíveis para a consciência.
E é para esse “ dentro” que tenho que me voltar, abrir espaço, e dar permissão para ouvir este desejo,ou vocação.

Afinal, quem sou eu?
Sejamos realistas: erros, dores e obstáculos não emitem diploma nem certificados, mas também ensinam muito!
Hoje se fala muito em “ auto-conhecimento”, o que obviamente não acontece num súbito lampejo ou estalar de dedos.
É um processo contínuo, que desafia a razão, tem atalhos, retas e curvas fechadas, descidas e subidas, e como diz a música, acontece “ num indo e vindo infinito”...

Conhecer a si mesmo não é uma tarefa simples, mas um passo importantíssimo em todas as escolhas que faremos na vida, seja na área pessoal, amorosa ou profissional.

Compreensão





Voar para a vida




A verdadeira consciência do eu é ver e aceitar o completo ciclo de vida de mudanças - que é a lagarta, o casulo, e então, a borboleta; assim como o alquimista que usa o chumbo para fazer ouro e a luz do dia que sempre segue a noite.

Uma perspectiva espiritual dá uma compreensão dessa história completa e o permite ver a história de algum lugar "fora de" ou "além de" você, sem se prender muito a qualquer pormenor.

Isso lhe permite ver fraqueza e força com equanimidade e estabilidade: vendo a fraqueza como uma realidade temporária, mas não a parte final da verdadeira identidade; é ver a fraqueza como o avesso da força e estar sempre fazendo a escolha para se mover de encontro à luz, movendo-se para o ouro e movendo-se para o vôo.

Lesley Edwards

Link: www.bkwsu.org/brasil

MISS IMPERFEITA















Martha Medeiros

‘Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso épossível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer .
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão, e ainda faço escova toda semana - ah, e as unhas!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero,o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero!
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo. Tempo para fazer nada.. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar. Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não serábem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado!) podem ser prazeres cinco estrelas, e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante’.










O riso e o absurdo





MIKE GEORGE

O riso sincero estimula uma química benéfica ao corpo, preservadora inclusive da vida. Os efeitos a curto prazo são excepcionais: a tensão é dispersada, a apreensão é eliminada, a habilidade de pensar positivamente aumenta e o contentamento é restaurado.

A incapacidade de rirmos de nós mesmos pode ser um indício de que achamos difícil reconhecer nossas próprias debilidades. Então tornamo-nos suscetíveis à ostentação, orgulho, á vaidade.
A vida, como uma comédia, pode ser absurda e imprevisível, os eventos podem tomar rumos inesperados e indesejáveis. Se perdemos o roteiro, esquecemos nossa fala ou se somos puxados para a ação de formas imprevisíveis, a perda de controle não deveria ser, necessariamente lamentada. O que precisamos é mudar de perspectiva, ver o absurdo de nossa condição e rir disso tudo.

A importância do cômico é que ele pontua nossas pretensões e permite que uma corrente de ar fresco invada a nossa consciência. É, portanto, uma técnica de relaxamento por excelência. Muitas vezes, vamos rir apesar de nós mesmos. Em outras palavras, o espírito cômico derruba completamente as barreiras internas e atua contra a força da gravidade, enfraquecendo nossa resistência ao prazer. A conseqüente sensação de alívio é palpável.
As piadas, como os mitos, têm um propósito na sociedade. Contar uma, especialmente num grupo, é assumir um importante papel – a de contador de histórias. Eliminando inibições, unindo a audiência numa resposta involuntária e compartilhada, o contador de piadas é um agente de relaxamento.


http://diversao.uol.com.br/album/a_megera_domada_album.jhtm



O barulho da floresta que brota


Entrevista com Jean-Yves Leloup

Jean-Yves Leloup é um dos pensadores importantes do mundo contemporâneo. Nascido em 1950, na França, ele é um cidadão do mundo. Filósofo, terapeuta transpessoal, teólogo, ele é padre da igreja ortodoxa na França, e traduziu e interpretou textos bíblicos. Seu pensamento é poético, universalista, multidimensional. Conferencista reconhecido internacionalmente, ele vem regularmente ao Brasil proferir seminários organizados pela Universidade da Paz.

Para Marie de Solemne, uma estudiosa da sua obra, “a considerável força da palavra de Jean-Yves Leloup é que ela é sistematicamente informada, ao mesmo tempo, por uma reflexão filosófica, psicanalítica e espiritual”. Os livros de Jean-Yves estão publicados em vários idiomas e fazem sucesso no Brasil. Entre os seus últimos lançamentos estão “Amar ... Apesar de Tudo” e “A Arte da Atenção”, ambos da Editora Verus. A entrevista a seguir foi concedida na sede da Unipaz, em Brasília.

Pergunta – Você é sacerdote da igreja ortodoxa...

Jean-Yves Leloup - A ortodoxia é a tradição das origens do cristianismo. Inicialmente, o cristianismo era uma comunhão de igrejas. Havia a igreja de Jerusalém, a de Antióquia, a de Éfeso, a de Roma. Foi só no século 12 que a igreja de Roma se separou. As diferentes igrejas ortodoxas preservaram a tradição de comunhão e permaneceram unidas apesar das diferenças.

Pergunta - Você acredita em Astrologia?

Jean-Yves Leloup – O homem é uma parte do universo e depende dos astros. Isso faz parte da sua unidade com o cosmo. Gosto das palavras de Santo Tomás de Aquino, que diz que os homens dependem dos astros, mas são maiores do que eles. Não somos completamente determinados pelos astros. O homem é uma mistura de natureza e de aventura. Creio na Astrologia, mas não no determinismo.

Pergunta – Quando você diz que aceita postulados da Astrologia, essa é uma opinião pessoal ou é um consenso em sua igreja?

Jean-Yves Leloup – Na igreja ortodoxa há diferentes teólogos, com pontos de vista diversos. A linha de pensamento em que estou engajado respeita a Astrologia. A consciência da relação do homem com o universo, a consciência da sua liberdade e a consciência daquilo que o ser humano faz em relação ao universo – essas são questões muito tradicionais.

Pergunta – No seu livro A Arte da Atenção, você define o oceano como “um deserto em movimento”. O deserto parece ser um dos seus temas constantes. Se para você o deserto é uma metáfora, ele simboliza o quê?

Jean-Yves Leloup – Simboliza o silêncio – o silêncio de onde vem a palavra e para onde a palavra volta. O deserto é também uma metáfora da vacuidade – a vacuidade de onde vem o mundo e para onde esse mundo volta. Quando estamos no deserto, nesse espaço de silêncio, nós nos aproximamos dessa vacuidade essencial e não somos distraídos pelas formas. Entramos em contato com o que não tem forma — a origem de todas as formas.

Pergunta – Você acredita em reencarnação?

Jean-Yves Leloup – A reencarnação é uma explicação possível. Ela é importante para dar-nos um sentido de responsabilidade e para colocar-nos em contato com as conseqüências dos nossos atos. A idéia de reencarnação está ligada à idéia de justiça e à lei do Carma. O Evangelho diz que o que você planta, você colhe. Nesse sentido, a idéia da reencarnação pode ser útil. Mas os grandes sábios da Índia dizem que a reencarnação é uma crença popular e uma forma de interpretar o que está além do espaço e do tempo. Crer na reencarnação é acreditar na continuidade do espaço-tempo. Por isso, há uma diferença entre reencarnação e ressurreição. O objetivo humano é sair do ciclo da reencarnação e atingir um estado de ressurreição que está além da necessidade de reencarnar e constitui uma libertação. Quando perguntaram ao indiano Ramana Maharshi para onde ele iria depois da sua morte, ele respondeu: “irei para onde sempre estive”. Ele não fala de reencarnação, nem do encadeamento de causas e efeitos. Ele destaca que há dentro de nós algo que está livre da roda de causas e efeitos, livre do samsara. É esse estado de despertar que devemos descobrir.

Pergunta – O que é Deus? É uma entidade antropomórfica que toma decisões como se fosse um ser humano, com seu hemisfério cerebral esquerdo, que gosta ou não gosta, que se apega ou rejeita algo? Ou Deus é apenas uma Lei Universal?

Jean-Yves Leloup – Cada um tem sua religião conforme o seu nível de consciência. Nossa imagem de Deus é feita de acordo com o que a nossa consciência pode conter. É por isso que existem imagens de Deus muito infantis – Deus como uma grande mãe ou um grande pai, como uma fonte de segurança. Meister Eckhart escreveu que, para alguns, Deus é como uma vaca leiteira, algo que tem que suprir as nossas necessidades. Para outros, Deus é aquilo que coloca em ordem a sociedade humana e o universo, é a lei natural. Para outros, ainda, Deus é apenas uma palavra, e tudo o que podemos pensar de Deus não é Deus, mas apenas a nossa representação dele. Assim, também, o que conhecemos da matéria não é a matéria, mas apenas o que os nossos instrumentos de compreensão nos permitem perceber. Por isso, quando usamos a palavra Deus, é bom saber do que estamos falando. Ao longo da nossa vida pessoal, nossa imagem de Deus pode mudar. Aquilo que a gente aprendeu no catecismo, em outro momento ganha outro significado. O que aprendemos sobre Química no primeiro grau não é o que aprendemos na universidade. Às vezes, no entanto, ficamos fixados nas imagens da escola de primeiro grau. O mais importante, claro, é a nossa experiência. O que quero dizer quando falo de Deus? Que experiências estão por trás dessa palavra? Para mim, essa é uma experiência de serenidade, de silêncio, de amor, e de luz.

Pergunta – Em seus livros, você aborda “a memória do corpo”.

Jean-Yves Leloup – O corpo é a nossa memória mais arcaica. Tudo aquilo que uma criança viveu fica guardado na forma de impressões em seu corpo. Quando tocamos um corpo, tocamos toda essa memória. Assim, você não pode tocar determinadas pessoas em determinadas áreas, porque ali há registros de memórias antigas. Karl Graf Dürkheim dizia que quando fazemos massagem em alguém, não estamos tocando um corpo, estamos tocando uma pessoa. O corpo é animado, pleno de memórias.

Inteligências Múltiplas



Um grande passo para a compreensão do que é e como funciona a inteligência humana foi dado nos anos 80 por um psicólgo norte americano, Howard Gardner na Universidade de Harward.

Ele e um grupo de pesquisadores da cognição humana concluiram que existem sete espectros de inteligências que comandam a nossa mente. Estas competências estão inter-relacionadas, e algumas delas, anteriormente eram vistas como dons ou virtudes.

Segundo a pesquisa todos temos mais de uma inteligência, que existem em diferentes níveis de desenvolvimento. E podemos treiná-las!

De forma bem reduzida são elas:·

Inteligência lógico-matemática: traduzida na capacidade de realizar operações matemáticas, racicínio dedutivo, e de analisar problemas com lógica. Matemáticos, pesquisadores, engenheiros e cientistas têm essa capacidade privilegiada.

Inteligência lingüística: habilidade de aprender línguas e de usar a língua falada e escrita, boa comunicação verbal para expressar-se e atingir objetivos. Advogados, escritores, poetas, jornalistas e locutores tem essa habilidade.

Inteligência espacial: Habilidade de organização de elementos visuais de forma estética. Capacidade de reconhecer e situar-se no espaço. É importante tanto para ilustradores, qunato para navegadores, pilotos, escultores, artistas plásticos.

Inteligência corporal: capacidade em usar o corpo e as mãos para a solução de problemas ou auto-expressão. Dançarinos, atletas, cirurgiões, terpeutas corporais, artesãos, mágicos, mímicos ou mecânicos valem-se dela.

Inteligência interpessoal: é traduzida pela capacidade de perceber as intenções e os desejos dos outros, habilidade no trato social e de se relacionar bem. Inclui-se aqui os professores. É necessária para terapeutas, vendedores, políticos, líderes religiosos, políticos.

Inteligência intrapessoal: seria a capacidade do indivíduo conhecer-se e estar bem consigo mesmo, de usar o auto-conhecimento para administrar e equilibrar a sua própria vida. Auto-estima e disciplina para chegar aos seus objetivos pessoais e profissionais.

Inteligência musical: Associada à idéia de talento. Habilidade para entender a linguagem sonora e se expressar através dela. Disposição inata para apreciação, organização de elementos sonoros, composição, e independe de aprendizado. Músicos , maestros e compositores.

Gardner abriu novos caminhos para a educação, afirmando que a escola e o professor devem respeitar valorizar essas diferentes formas de habilidades e interesses. Essa multiplicidade de inteligências nos conduz a uma visão mais humana e critativa da educação do futuro, pois enfatiza um processo de aprendizagem mais individualizado. Esta concepção certamente nos levaria a formação de cidadãos socialmente e profissionalmente mais integrados, valorizados e portanto felizes!

Para ler:

" Inteligências Múltiplas: a teoria e a prática", de Howard Gardner. Artmed, 2000.
Revista Mente e Cérebro, edição nº 175, agosto de 2007


Esperança na Desesperança

foto: Araquem Alcantara


A desesperança nasce da consciência sobre as carências do Homo
sapiens/demens e das manifestações históricas do ruído e do furor
que, tantas vezes fizeram tábula rasa da razão e do amor. Essa
dialógica dispõe de seis princípios de esperança na desesperança:

·Princípio vital: assim como tudo o que vive se auto-regenera numa
tensão irredutível para o futuro, também todo o humano regenera a
esperança regenerando sua vida. Não é a esperança o que faz viver,
é o viver que cria a esperança que permite viver.

·Princípio do inconcebível: todas as grandes transformações ou
criações foram impensáveis antes de ocorrer.

·Princípio do improvável: todos os acontecimentos felizes da história
foram, a priori, improváveis.

·Princípio da toupeira: que cava suas galerias subterrâneas e
transforma o subsolo antes que a superfície se veja afetada.

·Princípio de salvação: é a consciência do perigo que, segundo
Hölderlin, sabe que "onde cresce o perigo, cresce também o que salva".

·Princípio antropológico: é a constatação de que Homo
sapiens/demens usou até o presente uma pequena porção das
possibilidades de seu espírito/cérebro. Isso supõe compreender
que a humanidade se encontra longe de ter esgotado suas
possibilidades intelectuais, afetivas,culturais, civilizacionais,
sociais e políticas.

Nossa cultura atual corresponde ainda à pré-história do espírito
humano e nossa civilização não ultrapassou a idade de ferro planetária.

Estes princípios não trazem consigo nenhuma segurança, mas não
podemos livrar-nos nem da desesperança nem da esperança. A
odisséia da humanidade permanece desconhecida, mas a missão da
educação planetária não é parte da luta final, e sim da luta inicial pela
defesa e pelo devir de nossas finalidades terrestres; a salvaguarda da
humanidade e o prosseguimento da hominização. (p.111)

Morin Edgard, Ciurana E & Motta R 2003. Educar na era planetária
O pensamento complexo como método de aprendizagem pelo erro e
incerteza humana
.Cortez Editora, São Paulo.

Orientação Vocacional


Saturno, o símbolo astrológico do trabalho, perseverança e da responsabilidade.

Em tempos de mudanças aceleradas e tantas reformulações na área das carreiras, a necessidade de escolha ou planejamento da profissão é, cada vez mais, de vital importância.

Seja para o jovem que está dando os seus primeiros passos em sua formação e qualificação ou para profissional já estabelecido, este é um desafio estimulante, mas que também gera certa angústia.
A Internet assim como as constantes inovações tecnológicas oferecem e exigem mais e mais preparo e empenho nesta área. Em algum momento teremos que trabalhar para “ganhar a vida”. E esta é uma realidade e, sobretudo uma necessidade.

O trabalho, além do sustento, é nossa forma de expressão no mundo, aquilo que nos define, que põe a personalidade em ação no mundo. Todos somos criativos, todos queremos ser “ alguém”.
Afinal, escolhemos a nossa profissão ou é ela que nos escolhe?
Aptidões e interesses podem ser contraditórios, e portanto, não é fácil uma escolha ou decisão que irá exigir tempo, dinheiro e dedicação.
A indefinição profssional, em grande parte, pode estar relacionado à falta de auto-conhecimento, que só chega quando já fizemos muitas experiências, o que teoricamente nos levará a maturidade.
Como escolher uma graduação ou profissão se ainda não me conheço?
Serei um especialista? Um generalista? O que é mais indicado para mim?
Como construir um projeto de vida se tudo está sempre em transição?

A necessidade da escolha se dá necessariamente pela cultura educacional, ao final da conclusão do ensino médio. Mas isto raramente coincide com a maturidade psicológica ou emocional do jovem - muito pelo contrário.
As decisões podem ser pautadas pelo mercado de trabalho, moda, imposição familiar, etc.
Mas e daí?
Esta bússola “ funcional” vai apontar também para a satisfação e realizações mais gratificantes?
Na área profissional as pessoas dizem: “sou músico”, “sou um técnico”, ou “sou decoradora”, o que nos leva à idéia que essa escolha se relaciona mais ao SER que somos, e isso responde pelo termo “ vocação”.
Esta palavra vem do latim vox e core, voz e coração respectivamente, o que vem a ser o dom, uma aptidão especial que possuímos, um chamado. Mas, quem chama? Aquilo que se escolhe pela voz do coração, que faremos com paixão.

A Astrologia é uma ferramenta muito valiosa para indicar os talentos potenciais e aptidões que o indivíduo possui, as áreas em que ele pode se sair bem profissionalmente. O mapa astrológico de nascimento é um mapa da psique em estado latente; seus símbolos representam tendências e potenciais que estão à disposição de um indivíduo, e indicam também as diferentes fases de desenvolvimento.

Podemos fazer uma analogia com a semente de uma árvore, que já contém em si todo o seu futuro potencial de crescimento, e que irá se desenvolver, florescer e frutificar ao longo da vida, também, claro, de acordo com as condições do meio externo.
É importante ressaltar que a avaliação das aptidões vocacionais não obedece a um critério de adivinhações, mas sim de propiciar ou facilitar um reconhecimento dos valores e interesses que cada um de nós possui. As habilidades humanas são amplas e variadas , assim como as nossas reais necessidades de realização.
Citamos algumas delas:

Habilidades:
- Artísticas
-Intelectuais
-Técnicas
- Liderança e iniciativa
- Físicas e atléticas
-Assistenciais

Necessidades:
-Prestígio, reconhecimento
- Segurança, sobrevivência
- Satisfação pessoal
- Poder
- Ideal social
- Ideal intelectual
- Filosofia de vida

E os estudos e os diplomas, nada contam?
A formação acadêmica e as especializações fazem parte do processo todo, claro, assim como o meio familiar, cultural e social. O comprometimento, a postura, os valores de vida e os interesses que se renovam também contribuem para a formação e construção de um profissional.
Conhecer a si mesmo, saber as suas reais motivações, interesses é a mola propulsora para este caminho, que é atender nossa vocação e nosso talento.

China x Tibet: até quando?



XIV Dalai Lama em Dharamsala, India

Ao que parece, os tímidos esforços da comunidade internacional nada trouxeram de resultados positivos para os conflitos do sofrido povo tibetano. A verdadeira " muralha" da China parece ser o seu atual e extraordinário poder econônomico, que ao que parece vem silenciando gritos e sonhos de milhares de tibetanos expatriados no Ocidente. Até quando?

Sabe-se que detenções em massa de monges continuaram na semana passada, e mosteiros foram fechados pelas tropas armadas chinesas. A crise se aprofunda e há notícias de suicídios de monges em diferentes pontos do país, em protesto à opressão chinesa, evidenciando o desespero ao clima de medo e incertezas.

Dois enviados de Sua Santidade, o Dalai Lama, devem chegar à China no dia 3 de maio para tentar um diálogo com as lideranças chinesas. O líder espiritual tibetando exige que as conversas sejam " sérias".



Por onde andará Demeter?






Demeter, deusa da Grécia antiga, protetora das terras cultivadas e das colheitas.
Por onde andarás nossa deusa-mãe, que germina sementes, nos alimenta, nos dando o precioso pão de cada dia?
Ciclones, maremotos, tufões, tsunamis, chuvas torrenciais, ursos polares e icebergs flutuando sem direção, epidemias, abelhas desaparecidas, terras secas e sulcadas pelo sol.
Dizemos: a natureza enlouqueceu! o tempo está maluco! Pobre tempo, pobre clima, que é só uma seqüela da ação inconseqüente dos homens que há muito estão cegos para sua própria LOUCURA.
Ah, os bancos... estes sempre vão muito bem, obrigado. Os “grandes investidores”, o dinheiro virtual, os mercados, as bolsas de valores , os juros. Silêncio nos ganhos e choradeira nas perdas.
Correm velozes para ajudar a si mesmos quando a recessão bate à porta e dão as costas para tudo o que não seja lucro, dividendos, especulação.

E agora.... a fome, a falta dos alimentos, do trigo, dos grãos, escassez de planejamento, excesso de ganância. Quem de nós já ficou dois dias sem comer, e sem saber quando será a próxima refeição?
O que mais podemos esperar desta ambição inescrupulosa, de governos unilaterais, políticos roliços e alienados, em seus belos jantares e intermináveis reuniões de cúpulas das quais nenhum resultado se percebe?

Bilhões de dólares despejados na industria bélica mundial, dinheiro que resulta em morte e degradação, ou seja, tudo feito em nome da defesa e da segurança. Quanto mais as desejamos, menos as encontramos, é um paradoxo ou uma piada?

Onde andará Demeter, a força sábia da natureza que nos dá os grãos, os campos floridos, as chuvas fertilizantes, a semeadura com colheitas fartas, e as quatro belas estações do ano?
Imagino-a cansada e abatida, meio descabelada, tentando em vão ensinar os homens a cuidarem melhor dela, respeitando seus limites.

O que estamos semeando para nossos filhos e netos? A colheita da visão curta, da miopia do imediatismo dos lucros, de um amanhã sombrio.
E se pudessemos deixar para eles o cuidado, o amor e o respeito por tudo aquilo que chamamos de vida e natureza?
Ambientalistas do planeta Terra, uni-vos!
Mãe Terra, perdoe-nos!

Tereza Kawall

Tibet: a tocha sem brilho



NOVA DÉLHI - Cerca de cinco mil tibetanos iniciaram nesta quinta-feira, 17, um percurso paralelo ao da tocha olímpica por Nova Délhi, onde foram desdobrados mais de 15 mil policiais para o revezamento oficial, informou a agência indiana Ians.

Antes da cerimônia oficial, os ativistas usando camisetas com mensagens em defesa da liberdade no Tibete, organizaram um percurso alternativo com uma tocha "própria", que levaram do memorial de Rajghat, onde foi cremado o pai da nação indiana, Mohandas Gandhi, até o complexo de Jantar Mantar, epicentro dos protestos nos últimos dias."

O revezamento oficial tem pouco espírito olímpico porque está sendo organizado sob extremas medidas de segurança. Portanto decidimos reviver o espírito olímpico com um percurso paralelo", disse o porta-voz do Comitê de Solidariedade Tibetano (TSC, em inglês), Tseten Norbu.
A segurança os impediu de acender sua tocha de protesto no interior do parque, onde repousam os restos de "Mahatma" Gandhi, mas os manifestantes conseguiram acendê-la do lado de fora.

Está previsto que o protesto termine pouco antes de a tocha olímpica percorrer oficialmente Nova Délhi, aonde chegou à 1h10 (16h40 de quarta-feira de Brasília), a bordo de um avião especial procedente do Paquistão.

Desde o primeiro momento foram registrados protestos de tibetanos contra a atuação da China no Tibete.

As autoridades indianas asseguraram que a tocha será mantida em um local seguro e "não revelado" até o começo do revezamento, com vistas a prevenir incidentes como os que ocorreram em Paris, Londres e San Francisco.

Vivem na Índia cerca de 130 mil refugiados tibetanos e seu líder espiritual, o dalai lama.

Na madrugada de desta quinta-feira, aproximadamente 40 tibetanos foram detidos em Nova Délhi após um protesto contra a China na chegada da tocha.

Festa no outro apartamento


Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde, coisíssima nenhuma.
Estamos todos no mesmo barco.
Há no ar, um certo queixume, sem razões muito claras.
As pessoas, de uma maneira geral, têm dentro delas um não-sei-o-que perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem.
De onde vem isso?
Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: Eu espero acontecimentos... só que quando anoitece, é festa no outro apartamento.
Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar, para o qual eu não tinha convite.
É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser.
Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligado na grama do vizinho.
As festas em outros apartamentos são fruto de nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias.
Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias. Revelam pouco suas aflições e não dão bandeira das suas fraquezas.
Assim, fica sempre parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando, na verdade, a festa lá fora não está tão animada assim.
Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde, coisíssima nenhuma.
Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e outros bons motivos para se refugiar no escuro, alternadamente.
Só que, os motivos pra se refugiar no escuro, raramente são divulgados.
Para consumo externo, todos são belos, sensuais, magros, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores e equilibrados.
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de mídia que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta.
Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça.
Mas tem.
Paz interior, família, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços... tudo isso vale ser incluído na nossa biografia.
Será mesmo tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras, fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores?
Compensa passar a vida comendo alface, para ter o corpo que a profissão de modelo exige?
Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas dos pés?
Talvez precisemos discernir entre uma vida sensacional e uma vida sensacionalista.
Porque as melhores festas acontecem mesmo, é dentro do nosso próprio apartamento.

[Desconheço a autoria]








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No dia 24 de agosto de 2006 a comunidade dos astrólogos foi surpreendida com a notícia de que a XXVI Assembléia Geral de IAU, International Astronomical Union em seu congresso anual em Praga havia promovido o” rebaixamento” astronômico do planeta Plutão, que a partir daí seria considerado um planeta- anão.Essa desclassificação foi tomada em função de uma série de novos critérios científicos relativos ao peso, medida e órbita dos demais planetas. Questionamentos, dúvidas, ceticismo e até revolta foram as reações mais evidentes; outros deram de ombros, mas não tão indiferentes assim.

O rebaixamento astronômico foi polêmico até entre os próprios cientistas astrônomos. Em março deste ano, 2007, houve um novo consenso estabelecido por uma lei do Estado norte-americano do Novo México que se rebelou contra a determinação da IAU. Não satisfeitos, os astrônomos instituíram o dia 13 de março como sendo o Dia de Plutão em sua legislatura.

Um foco de luz e curiosidade se abriu sobre a validade dos postulados astrológicos , tanto por parte da grande mídia, quanto daqueles que algum uso fazem deles, seja em consultas periódicas, livros, ou auto conhecimento. Enfim, o quê mudou para o astrólogo e para o seu ofício? Nada. Em termos astrológicos a questão é irrelevante, pois o planeta “ desclassificado”, por assim dizer, não o faz ou fez perder nenhuma característica simbólica à ele atribuído. A Astrologia não trabalha com relações de causa e efeito, um critério científico e racionalista, e não considera o tamanho do corpo celeste relevante em sua eficácia simbólica.

A Astrologia em sua essência é uma linguagem simbólica, e como tal diz respeito ao que chamamos de arquétipos, princípios ou idéias estruturantes, inatas ou herdadas na psique humana coletiva. Os símbolos planetários representam diferentes motivações, necessidades e impulsos da natureza humana.

Plutão é o planeta sempre associado aos processos de desconstrução, regeneração, e transformação da vida , para que haja uma nova consciência. Morte e vida lhe dizem respeito assim como o potencial criador e curativo do inconsciente.
Plutão ou Hades na mitologia greco romana era o senhor absoluto dos mundos subterrâneos e inivsíveis. Hades não tinha altares para ser cultuado, e também não poderia ser visto pelos mortais, pois usava um elmo que o tornava invisível. Seu nome quer dizer “ riqueza”, pois ele tem o poder revelar tesouros e talentos ocultos que ficam disponíveis em momentos de dor e devastação da alma humana.

Como dizia Nietzsche: “ Aquilo que não me destrói me fortalece”.

Este livro contém informações preciosas sobre a natureza transpessoal dos planetas que estão além das órbitas de Saturno, que como bem define Dane Rudhyar são os “embaixadores da galáxia”, pois de um lado nos colocam em contato com dimensões mais vastas e profundas da psique, e por outro promovem um nível mais alto de consciência. Urano, Netuno e Plutão são catalisadores de mudanças, que dissolvem padrões mentais e emocionais arraigados que bloqueiam a visão e o desenvolvimento de um individuo.
É necessário dizer também que por outro lado, Plutão e destino andam de mãos dadas e muitas vezes atadas. No plano psicológico, não é raro observarmos como seus trânsitos ou progressões podem desencadear a erupção de complexos ou síndromes plutonianas em que a vontade individual, a escolha e o por fim o arbítrio não tem nenhuma eficácia; há um verdadeira humilhação ou rendição do ego, que leva ou não a uma mudança.James Hillman, analista junguiano escreve a respeito do caráter e destino:

“ Parte daquilo que quero dizer com “ força do caráter” é a persistência das anomalias incorrigíveis, esses traços que não conseguimos consertar, não conseguimos esconder e não conseguimos aceitar. Resoluções, terapia, conversão, o arrependimento do coração na velhice – nada prevalece contra eles, nem mesmo a oração. Resta-nos entender que o caráter é realmente uma força que não pode sucumbir à força de vontade nem pode ser alcançada pela graça. A força de sua s fraquezas zomba de todos os livros de virtudes, cujos esforços para esclarecer são velas acesas ao vento”.

Gosto muito de admirar árvores, em especial as de grande porte. Vejo-as como um símbolo perfeito de força plutônica, unindo céu e a terra, o alto e o baixo, a luz e a escuridão ctônica. Se nos sentássemos embaixo de uma dessas árvores-mães, e pegássemos uma única semente por ela jogada ao chão, poderíamos nos indagar, numa breve reflexão:

De onde vem a seiva que faz brotar e crescer esta bela árvore, cuja generosidade nos dá proteção, sombra, memórias, moradia para inúmeros seres da natureza, além dos frutos e das flores que colorem a paisagem?

De onde vem a água das nascentes que jorram delicadamente para perpetuar a vida?

De onde vem a lava dos furiosos vulcões vomitando e jorrando labaredas de fogo?

De onde vem o petróleo, e outros incontáveis recursos energéticos igualmente invisíveis porque subterrâneos?

Como vamos nos reconciliar com a abundância de Gaia, cuja infinita paciência parece ter se esgotado, porque estamos destruindo-a diária e impunemente? Continuaremos vivos?

Com a palavra, vossa excelência, Plutão.


Tereza Kawall, prefácio do livro Síndromes de Plutão, de Ciça Bueno e Márcia Mattos, ed. Ágora.





Tocha Olímpica em Buenos Aires

Manifestantes em Buenos Aires













Richard Gere em São Francisco,CA

Buenos Aires reforça segurança para passagem da tocha Olímpica
Chama olímpica passará nesta sexta-feira (11) pela capital da Argentina.Autoridades se preparam para possibilidade de protestos pró-Tibete.

Por enquanto, as atenções se voltam para a possibilidade de Diego Maradona carregar a chama.

As forças de segurança argentinas, que lidam quase diariamente com protestos de rua e com a violência dos torcedores de futebol, estão preparando um forte esquema para os 14 km de percurso da tocha, diante da suspeita de manifestações-surpresa contra a recente repressão da China na região do Tibete.

A chama olímpica partirá da região de Puerto Madero, protegida por 1,5 mil efetivos da Prefeitura Naval, 1,2 mil policiais federais e 3 mil colaboradores.

Buenos Aires é a única cidade latino-americana que participará do revezamento da tocha, que termina em agosto, em Pequim.

É de Puerto Madero que pode partir Maradona, que nunca conseguiu realizar o sonho de participar das Olimpíadas. "Essa é a dívida pendente que tenho, e transportar a tocha Olímpica seria um sonho realizado", disse recentemente o ex-astro do futebol.

Protestos na California

Em San Francisco, na Califórnia, por onde a tocha passou na quarta (8), a cerimônia começou com atraso. A tocha foi acesa e em seguida carregada pela primeira atleta. Nas ruas de San Francisco, milhares de pessoas esperavam a passagem da chama, mas surpreendemente, a atleta entrou num depósito e desapareceu. Havia a especulação de que a tocha sairia de barco pela Bahia de San Francisco, mas meia hora depois começou o revezamento pelas ruas da cidade sob forte esquema de segurança. A polícia formou uma barreira para evitar que a tocha sofresse ataques e apagasse, como aconteceu em Londres e Paris.

Protestos Pró Tibet






TIBET

Protestos marcam a passagem da tocha olímpica por Londres e Paris
Os acontecimentos em Londres são um bom indicador de que a campanha da China por apresentar-se como um país aberto e respeitoso dos direitos humanos dos tibetanos não conseguiu seu objetivo, e mostra que a questão do Tibete vai ofuscar os Jogos, segundo os manifestantes.
Da mesma forma falou o líder espiritual Dalai Lama, que, neste domingo, disse que as manifestações no Tibete "jogaram por terra a propaganda chinesa sobre os distúrbios na região".
"Os recentes protestos em todo o Tibete não só contradisseram como também jogaram por terra a propaganda da República Popular da China, segundo a qual a maioria dos tibetanos, com exceção de alguns poucos reacionários, desfrutam de uma vida próspera e satisfatória", declarou o líder espiritual do budismo tibetano.

"Esses protestos também disseram ao mundo que a questão do Tibete já não pode ser relegada ao segundo plano", acrescentou o Prêmio Nobel da Paz.

http://www.dalailama.org.br/


Veja também fotos:



"Não inventei nada"

O neuropsiquiatra David Servan-Schreiber recebeu a Folha de S.Paulo em seu apartamento em Paris, onde falou sobre as idéias expostas no seu livro "Guérir". ( CURAR) Confira, abaixo, trechos da entrevista.

Folha - Segundo o sr., vivemos sob a tirania dos medicamentos psicotrópicos, receitados de forma abusiva para combater o estresse, a ansiedade e a depressão.
David Servan-Schreiber - Muitas pessoas tiveram a vida salva pelos antidepressivos. Hoje, eles provocam muito menos efeitos secundários que no passado. O que não é normal é o desequilíbrio com que são utilizados. Um francês em cada sete toma antidepressivo ou ansiolítico. Nos EUA, cerca de 10 milhões de americanos tomam antidepressivos. Isso é anormal. O lítio e outros medicamentos são muito eficazes. O importante é utilizá-los em casos legítimos e justificados. Essa medicina não reconhece que o corpo e o cérebro emocional têm sua própria capacidade de adaptação e reequilíbrio.

Folha - Em relação à psicanálise, o senhor chegou a dizer que, praticada seguidamente, é uma perda de tempo.
Servan-Schreiber que eu digo é que o objetivo da psicanálise não é curar. E foi Jacques Lacan [1901-1981] quem disse isso. Ele afirmou: "O objetivo da psicanálise é a compreensão de si mesmo, e a cura, quando ocorre, é um benefício em acréscimo". Eu sou médico, e o que me interessa é a cura. Toda minha vocação e meu interesse pela medicina está em aliviar o sofrimento. É bastante presunçoso escrever um livro com o título "Guérir" ["curar"], mas me permiti fazê-lo porque a definição de cura é muito simples: quando os sintomas da doença desaparecem e não retornam. O que constatei —e está nos livros científicos— é que vi repetidamente pessoas serem curadas desses males por esses métodos naturais, e os sintomas não reapareceram. Então, pode-se falar de cura. Apresente-me um estudo sobre a psicanálise que mostre isso. Não conheço nenhum. Mas não se trata de dizer que a psicanálise é uma perda de tempo. Depende do que você quer.

Folha - Por que falar, hoje, da medicina de "autocura pelo corpo"?
Servan-Schreiber - Se eu corto o dedo e provoco uma ferida, em alguns dias ela estará cicatrizada, e logo nem saberei mais onde foi o corte. No cérebro emocional, temos os mesmos tipos de mecanismos de adaptação, de cicatrização, que podem ser aprendidos por métodos naturais. Passei 20 anos estudando o cérebro. Pude constatar a eficácia desses métodos naturais de tratamento, os quais nunca me foram ensinados na universidade. Quando constatei que esses métodos funcionavam, e ainda melhor se comparados aos métodos tradicionais que havia aprendido, resolvi falar deles. Mas não inventei nada. Tudo o que está no meu livro são métodos já citados na literatura científica.

Folha - O que é essa "nova medicina emocional"?
Servan-Schreiber - A idéia central não é minha, mas, sobretudo, de António Damásio, que é para mim o maior neurocientista do mundo. Nos seus livros, ele diz que as emoções são emanações de tudo que se passa no corpo. A emoção é a sensação percebida do estado da fisiologia. Não há nenhum sentido em separar as emoções do que ocorre no corpo. Se vamos até o fundo da tese de Damásio, devemos passar pelo corpo, pelo estado da fisiologia, para transformar e curar os problemas das perturbações emocionais. O controle da coerência cardíaca, a hipnose usando os movimentos oculares, a terapia pela luz e pela simulação do nascer do Sol, a acupuntura, a nutrição, o exercício físico e também a importância do afeto, tudo isso são formas para aprender a utilizar o cérebro emocional e entrar em conexão para colocar a fisiologia no seu estado ótimo. Eu pego as idéias de Damásio e as levo até o limite, coloco sua teoria em prática. Aliás, é o que ele mesmo diz.

Folha - Alguns dos métodos que o sr. prega foram modismo nos anos 60 e 70, período fértil em terapias alternativas e de difusão do ioga e da acupuntura. A que o sr. credita o sucesso de seu livro hoje?
Servan-Schreiber - A primeira razão está relacionada ao fato de que se ouviu muito falar desses métodos por pessoas que não tinham credibilidade científica. O que interessava ao público era ouvir alguém como eu, que comandou o serviço de psiquiatria num hospital de uma grande universidade ortodoxa de medicina convencional, falando sobre isso. A mensagem nova foi alguém assim dizer que há coisas na literatura científica que funcionam bem e não são utilizadas como poderiam. Outra razão está relacionada a um movimento planetário, em que as pessoas desejam uma indústria não poluente e que produza, mesmo assim. Elas desejam uma agricultura que as alimente, mas que não as envenene. E o mesmo vale para a medicina, que utilize as capacidades do corpo para se reequilibrar, e que seja uma medicina "ecológica", natural.

Folha - Em resumo, seus métodos não trazem nenhuma novidade, mas a comprovação científica de técnicas já conhecidas.
Servan-Schreiber - A idéia de que se pode ser curado pela nutrição não é nova. Hipócrates já dizia isso. Acupuntura, nutrição, exercício físico, nada disso é novo. A coerência cardíaca é inspirada em tipos de meditação que datam de 5.000 anos. O novo é que começamos a ter estudos científicos que mostram que os métodos funcionam. Graças às novas técnicas de obter imagens do cérebro em atividade, começamos a entender como funciona a acupuntura, como certos pontos podem anestesiar o centro de ligação da ansiedade no cérebro. Isso é apaixonante. Na questão da nutrição, começamos a perceber no nível bioquímico a importância dos ácidos graxos ômega 3 na própria constituição das membranas neuroniais, no equilíbrio emocional e no controle das reações de inflamação no corpo. Isso é revolucionário. Sabíamos que a nutrição era importante, mas não com tanta precisão. O estudo sobre o papel dos animais de companhia no equilíbrio emocional data dos últimos cinco anos. Não é nenhuma novidade dizer que ter um gato ou um cachorro faz bem. Mas, sem os estudos científicos, não podíamos recomendar isso num dossiê médico no hospital. Por isso me senti capaz de colocar tudo num livro, com argumentos que pudessem convencer os leitores. Os estudos científicos são novidade, mas a maioria dos conceitos são antigos.

Folha - E quanto à coerência cardíaca?
Servan-Schreiber - A noção de coerência cardíaca é nova. Há uns 15 ou 20 anos compreendemos a importância da variabilidade do ritmo cardíaco em cardiologia. Mas sua compreensão no controle das emoções, sua importância para o controle do cérebro, começou a ser compreendida há cinco anos. Data de milênios a idéia de que se pode controlar o corpo pela respiração e pela concentração. Os budistas, por exemplo, compreenderam isso há 2.500 anos. Mas compreender como ela atua e precisar como se pode fazer isso da forma mais eficaz possível é que é novo.

Folha - O tipo de hipnose citado, que trabalha com a reprogramação dos movimentos oculares, pode realmente ajudar a resolver problemas emocionais?
Servan-Schreiber - A idéia de que se pode utilizar o movimento dos olhos e focalizar no corpo para estimular os mecanismo de digestão dos traumas emocionais foi inteiramente desenvolvida por Francine Shapiro, na Califórnia, em 1982. Há 14 estudos devidamente testados que provam esse método, recomendado por instituições médicas em vários países. O método foi aceito pelos ministérios da Saúde da Inglaterra, da Irlanda e de Israel. Mas ainda é algo bastante controverso. Há muitas pessoas que, apesar dos estudos científicos, não querem acreditar que funciona, porque não entendem como funciona.
Folha - O senhor diz que os Estados Unidos destinam anualmente US$ 115 milhões para experimentação e avaliação desses métodos. Há um grande atraso nessas pesquisas nos demais países?
Servan-Schreiber - A França é um caso particular, porque o público é extremamente aberto, e as instituições, extremamente conservadoras. Há uma tensão incrível. Era o caso nos EUA, e foi preciso um grande esforço para chegar aonde se está hoje. Foram os parlamentares que obrigaram o Instituto Nacional de Saúde americano a criar um centro de pesquisas sobre as medicinas complementares. Depois, a coisa decolou. Nunca houve um aumento de orçamento tão rápido. Começou com US$ 1 milhão por ano, em 1992, para chegar a US$ 110 milhões, em 2002.
Folha - O senhor relata no livro experiências realizadas em empresas. Existe algum programa de utilização desses métodos nas escolas?Servan-Schreiber - Sei que existe um projeto em estudo pelo Ministério da Educação da Grã Bretanha envolvendo cerca de 40 mil alunos, para ensiná-los a praticar a coerência cardíaca para melhor administrar suas emoções e suas próprias capacidades de concentração. Por enquanto, ainda é um projeto piloto.

Folha - Suas teses têm provocado polêmica na comunidade científica?
Servan-Schreiber - Até agora, não houve um verdadeiro debate na França. Na Suíça, há neurologistas e psiquiatras que discordam das minhas teses. Fico extremamente contente com esses debates. A principal crítica que recebo é do tipo "se tudo isso fosse verdade, todos saberiam", e não aceito esse argumento. Tudo já é sabido, está escrito nos livros científicos, mas o problema é que há pouca motivação para desenvolver essas técnicas. Não se pode patenteá-las, pois são técnicas naturais. Ninguém poderá patentear os peixes que têm ômega 3, o controle da respiração, a acupuntura, os exercícios físicos, o afeto, a luz, a hipnose. Portanto, não se poderá ganhar dinheiro com essas patentes, o que é uma motivação a menos. Em segundo lugar, todos esses métodos exigem muito mais tempo do médico do que escrever uma prescrição de Prozac, que leva dois minutos.

Folha - O seu discurso, por vezes, assemelha-se a aforismos budistas.
Servan-Schreiber - Gosto bastante da expressão "mind-body medicine" ["medicina do corpo e da mente"]. Ela define a integração do que existe de melhor na medicina convencional com o que funciona nessa medicina que utiliza as capacidades de autocura do organismo. Mas não é preciso se tornar um budista. Estive recentemente num debate com o dalai-lama [líder espiritual do budismo tibetano], em Boston, e ele disse ao final de sua conferência: "Você não precisa crer na reencarnação, no nirvana ou nas divindades budistas. Comece simplesmente tendo mais emoções positivas do que negativas e a concentrar seu espírito e sua atenção nisso. Já assim você começará a ser um ser humano muito mais evoluído".